Trovas, Neotrovismo, Literatura, Livros, Movimento Trovadoresco, Trovismo, Trovadorismo, Trova, Poesia, Cultura Popular
União Brasileira de Trovadores do Estado do Espírito Santo.
UBT DE VITÓRIA, VILA VELHA E SERRA ES.
A Trova Capixaba é uma rica manifestação poética e cultural do Espírito Santo, caracterizada por versos curtos, rimados e com métrica, expressando o cotidiano e a alma local, com forte atuação da Academia Capixaba de Letras e Artes de Poetas Trovadores (ACLAPTCTC), que evoluiu do antigo Clube dos Trovadores Capixabas (CTC), fundado por Clério José Borges, promovendo a trova como Patrimônio Cultural, com registros desde meados do século passado em manifestações como Folia de Reis e Bandas de Congo. Muitas Cantigas de Folia de Reis e das Bandas de Congos são verdadeiras Trovas, verdadeiros quatro versos metrificados com sete sílabas poéticas, com rima e sentido completo.
A UBT, União Brasileira de Trovadores é uma associação civil e cultural fundada em 1966, pelo Cirurgião Dentista Gilson de Castro que usava o pseudônimo de Luiz Otávio e é dedicada à trova literária (poesia curta de quatro versos setesilábicos) e à confraternização de Trovadores.
Atua em todo o Brasil através de delegacias e seções estaduais e municipais, organizando eventos como os Jogos Florais e concursos. Possui representações em diversas cidades brasileiras.
A forma de poesia minimalista denominada de TROVA tem uma rica história no Estado do Espírito Santo, com o surgimento do Clube dos Trovadores Capixabas (CTC) e figuras importantes como Clério José Borges de Sant Anna, que fundou o CTC, Clube dos Trovadores Capixabas a 1º de Julho de 1980 e se tornou presidente da Academia Capixaba de Letras e Artes de Poetas Trovadores (ACLAPTCTC). A ACLAPTCTC foi fundada em 18 de novembro de 2017, na Serra (ES), evoluindo do antigo Clube dos Trovadores Capixabas (CTC), que tinha raízes desde 1980, com foco na poesia e nas trovas, promovendo a cultura capixaba.
NOMES DA TROVA CAPIXABA
TROVADOR Matusalém Dias de Moura - É capixaba de Irupi, Iúna, ES. Advogado, político, assessor jurídico, atualmente é procurador da Assembleia Legislativa do Espírito Santo. Tem produção literária vasta, atuando como poeta, cronista, contista, ensaísta, com trabalhos publicados em livros, vários jornais e revistas. Foi Presidente Estadual (do Estado do Espírito Santo) da União Brasileira de Trovadores (UBT). Vencedor de vários Concursos de Trovas e Jogos Florais.
São nomes de Destaque da TROVA CAPIXABA: Elmo Elton, Beatriz Abaurre, Milson Henriques; Albércio Machado, o pai e Albércio Vieira Machado, o filho; Andrade Sucupira; Zedânove Tavares Sucupira; Geraldo Nascimento; João Roberto Vasco Gonçalves e Sérgio Soares Dutra, este último também premiado Trovador residente em Cariacica, ES.
TROVADOR EDY SOARES - "Edy Soares" é trovador capixaba, Edmardo Lourenço Rodrigues, conhecido por sua atuação na área de trovas e literatura no Espírito Santo. O trovador capixaba Edy Soares, um renomado amante da trova, empresário hoteleiro, foi Presidente da União Brasileira de Trovadores (UBT) seção municipal de Vila Velha e Presidente estadual da entidade. Vencedor de vários Concursos de Trovas e Jogos Florais. EDY SOARES (Edmardo Lourenço Rodrigues) nasceu na cidade de Ibatiba, no Estado do Espírito Santo, em 10 de setembro de 1964. Atualmente mora em Vila Velha, ES. Filho de pais agricultores, viveu nos Estados Unidos entre 1991 e 2006. Autor dos Livros "Poemas, Canções e Sonetos" e “Flores no Deserto” foi contemplado com o troféu Carlos Drumond de Andrade em outubro de 2015 em Itabira- Minas Gerais. É empresário do ramo hoteleiro e amante da trova
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FUNDAÇÃO DA UBT DE VITÓRIA EM 1981
1981 - Dia 30 de Março de 1981 foi fundada em Vitória a UBT, União Brasileira de Trovadores, tendo como Presidente o Dr. Carlos Dorsch; Vice-Presidente de Administração, Eurídice Vidal; Vice-Presidente de Cultura, Elmo Elton; Vice-Presidente de Finanças, José William de Freitas; Vice-Presidente de Relações Públicas, Clério José Borges; Suplente de Vice-Presidente, Eymard Cardoso de Barros. Conselho Municipal, Presidente Argemiro Seixas Santos; Integrantes: Matusalém Dias de Moura e Luiz Carlos Braga Ribeiro. Suplentes do Conselho: Albércio Nunes Vieira Machado; Fernando Buaiz e Vicente Nolasco Costa. A reunião de fundação foi realizada na residência na época do Dr. Carlos Dorsch no bairro de Jucutuquara, em Vitória.
Ainda em 1981, Clério resolveu comemorar o primeiro aniversário do CTC, a 1º de julho de 1981, com um Seminário. Foram convidados diversos Trovadores do Brasil inteiro, inclusive J. G. de Araújo Jorge, então Deputado Federal em Brasília, que não pode comparecer, pois não gostava de viajar de avião.
Compareceram de fora uma Delegação de Campos (Walter Siqueira, Alves Rangel e Constantino Gonçalves), J. Silva (da UBT Nacional), Rodolfo Coelho Cavalcante, de Salvador e Eno Teodoro Wanke, que compareceu com a esposa Sra. Irma, à sessão de encerramento. Na ocasião, Wanke fez uma palestra onde, em certa frase, dizia estar a UBT "encastelada em sua Torre de Marfim". O Sr. J. Silva reclamou e a discussão se acirrou, com intervenções de Andrade Sucupira e outros. O Seminário teve grande repercussão. Rodolfo e o casal Wanke ficaram hospedados em casa da Trovadora Argentina Lopes Tristão e Eno aproveitou para gravar informações destinadas a completar a biografia de Rodolfo, que posteriormente lançaria num livro denominado “Vida e Luta do Trovador Rodolfo Coelho Cavalcante.”
Rodolfo decidiu fundar o Clube Baiano de Trova, tão logo chegasse a Salvador, o que efetivamente fez. No ano seguinte, o CTC promoveu o Segundo Seminário e o comparecimento foi mais significativo ainda, com as seguintes Delegações: Recife: Valdeci Camelo, Presidente da UBT de Recife, Diva Veloso e J. Cabral Sobrinho, de Olinda. Salvador: Rodolfo Coelho Cavalcante e dois cordelistas; Niterói: o casal Torquata e Américo Lopes Fontoura, da UBT e da Academia Brasileira de Trova e Jandyra Mascarenhas, (da UBT do Rio). Rio de Janeiro: Eno Teodoro Wanke e esposa Irma. (Eno Teodoro Wanke jamais faltou a nenhum dos Seminários do CTC até o ano 1999.) Ponta Grossa: Amália Max, Presidente da UBT local. Argentina: Jorge Piñero Marques
Os Seminários do Espírito Santo (sempre organizados por Clério José Borges), provocam no Movimento Trovista Nacional uma efervescência de tal ordem que no Terceiro, foi fundada a 2 de julho de 1983, uma Federação Brasileira de Entidades Trovistas, a FEBET presidida por Eno Teodoro Wanke.
No Quarto Seminário, Eno Teodoro Wanke propôs que esta nova fase do Movimento, iniciado com a fundação do CTC em 1º de julho de 1980, passasse a ser denominado de "Neotrovismo". Ou seja, era o mesmo Trovismo renovado por uma nova geração de Trovadores. Os Seminários passaram a ser realizados anualmente, sempre em comemoração ao Aniversário do CTC, na primeira Semana de Julho. Até o Décimo foi realizado em Vitória, Vila Velha, Cariacica e Serra, na Grande Vitória. O Décimo Seminário foi realizado dentro do Palácio do Governo do Estado do Espírito Santo, o Palácio Anchieta, em Vitória, cedido pelo Governador Max Freitas Mauro, que estivera presente em 1981, no primeiro Aniversário do CTC comemorado em Vila Velha.
A partir do Décimo, os Seminários passaram a serem realizados nas cidades do interior do Estado do Espírito Santo. O Décimo Primeiro foi realizado na cidade de Ibiraçu. O Décimo Segundo em Afonso Cláudio. O Décimo Terceiro em Guarapari. O Décimo Quarto Seminário foi realizado em Linhares. O Décimo Quinto em Domingos Martins. O Décimo Sexto em Jacaraípe, Serra. O Décimo Sete em Conceição da Barra. O Décimo Oitavo em Linhares. O Décimo Nono em Anchieta e o Vigésimo, novamente em Domingos Martins, ocasião em que os Seminários passaram a denominação de Congressos Brasileiros de Poetas Trovadores realizados em várias cidades e sem uma regularidade definida.
Fundado a 1º de julho de 1980, no Espírito Santo até os dias atuais, mais de 40 anos depois de sua fundação é uma entidade cultural atuante, já tendo realizado 20 Seminários Nacionais da Trova no Espírito Santo e 18 Congressos Brasileiros de Poetas Trovadores reunindo Trovadores do Brasil. Portugal e Argentina. O CTC possui mais de 800 sócios em todo o Brasil e, é conhecido internacionalmente.
A Diretoria do CTC já organizou e realizou Congressos de Trovadores em Salvador, São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro. Clério José Borges além de já Ter concedido entrevistas em programas de televisão no Rio de Janeiro e São Paulo (Programa SEM CENSURA, no Rio de Janeiro e na TV Bandeirante em São Paulo), já proferiu PALESTRAS sobre A TROVA e o NEOTROVISMO em Congressos e Encontros de Escritores e Poetas realizados em várias partes do Brasil, como por exemplo: NOVA PRATA – RS; PORTO ALEGRE – RS; PORTO VELHO – RONDÔNIA; RECIFE – PERNAMBUCO; SALVADOR – BAHIA; RIO DE JANEIRO; SÃO PAULO; BRASILIA; TIMÓTEO – MINAS GERAIS; CAMPOS – RJ; BRASILIA - DISTRITO FEDERAL; GAMA – DISTRITO FEDERAL, ALÉM DE VÁRIAS CIDADES DO ESTADO DO ESPIRITO SANTO, COMO BARRA DE SÃO FRANCISCO; COLATINA; SÃO MATEUS; LINHARES; IBIRAÇU; JOÃO NEIVA; SERRA; FUNDÃO; VITÓRIA; VILA VELHA; GUARAPARI; CACHOEIRO DE ITAPEMIRIM; AFONSO CLÁUDIO; DOMINGOS MARTINS...
Em Assembleia Geral Extraordinária realizada no sábado, dia 18 de novembro de 2017 o CTC passou a ter uma nova denominação. O CTC foi extinto surgindo então a ACLAPTCTC, Academia Capixaba de Letras e Artes de Poetas Trovadores.
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A ORIGEM DA TROVA CAPIXABA -
O POETA TROVADOR SÃO JOSÉ DE ANCHIETA
Para alguns, a prática da trova no Espírito Santo inicia-se com o padre José de Anchieta (1534/1597).
De alguns poemas do 'Apóstolo do Brasil” podem ser derivadas trovas, embora, ao que se saiba, não tenha sido um trovador no sentido moderno da palavra, ao menos de várias trovas.
Dele, inclusive, conhecemos uma trova em tupi:
'Sarauájamo oroikó
Kaápe orojemoñánga
Orojú nde mornóranga
Oré aíba reropó.'
A tradução desta trova é: 'Vivemos como selvagens, somos filhos da floresta, viemos saudar-te, renunciamos aos vícios”.
Note-se que a rima é do tipo ABBA, não aceita pela maioria dos trovadores contemporâneos. Sabemos que a trova tem todo um passado ligado à imprensa, especialmente de maneira satírica, o famoso epigrama, como se dizia.
A imprensa no Espírito Santo é senhora de um passado glorioso.
ANTES DO CLUBE DOS TROVADORES CAPIXABAS E DA ACLAPTCTC
Mais recentemente poderíamos citar a publicação do CANCIONEIRO CAPIXABA DE TROVAS POPULARES, em 1949, onde Guilherme dos Santos Neves reuniu trovas colhidas diretamente do povo, em pesquisas por ele realizadas, e de duas pequenas coletâneas anteriores: uma de Afonso Cláudio, em 1923, e outra de uma colaboradora anônima de 'A Província do Espírito Santo”, em 1889.
O livro do Guilherme dos Santos Neves é uma coletânea de 1000 trovas populares, isto é, recolhidas do folclore.
Um dos primeiros livros contendo exclusivamente trovas literárias, ou seja, de autor conhecido, foi publicado por Solimar de Oliveira, em 1957.
A obra, um volume do 9cmX12cm, com 40 páginas, chama-se SANGRANDO LÁGRIMAS... São 95 trovas de Solimar e uma tradução de autor cujo nome não é revelado.
O convívio de Solimar com a trova, porém, vinha do longe.
É ele que nos conta da exposição do fotografias das principais paisagens de Vitória, organizada pelo fotógrafo Paes, com uma série de trovas, de que tomaram parte intelectuais especialmente convidados por aquele artista.
Isso foi em 1935 e Solimar lembra dos seguintes nomes: Ciro Vieira da Cunha, Almeida Cousin, Alvimar Silva, Nilo Aparecida Pinto, Solimar de Oliveira, João Bastos, Teixeira Leite, Jair Amorim, entre outros.
Solimar faz questão de lembrar o nome de Manoel Teixeira Leite, notável poeta, jornalista e trovador, já falecido.
Outra empreitada trovista de Solimar, agora junto com seu irmão Heralto de Oliveira, falecido, foi a organização de uma antologia do trovadores de Cachoeiro de Itapemirim, pelos anos de 1942/1943.
Essa coIetânea não chegou a ser publicada e os originais acabaram definitivamente perdidos.
Alguma coisa desse livro foi, contudo, divulgada mais tarde por Heralto, sob o pseudônimo de Vilamor.
Em 1950 Solimar passou a corresponder-se com Luiz Otávio e colaborou efetivamente com o futuro autor de MEUS IRMÃOS, OS TROVADORES.
A fundação do Grêmio Brasileiro do Trovadores (GBT), em 8 do janeiro de 1958, é um dado importante na história do Trovismo.
O GBT foi a primeira entidade nacional de trovadores, se bem que por trovador entendesse, ainda, os poetas de cordel e os repentistas e congregasse violeiros numa verdadeira arca do Noé, com bichos do todo pelo.
O GBT fez-se presente no Espírito Santo, basicamente, através de três trovadores: Evandro Moreira, Paulo Freitas e o experimentado Solimar de Oliveira.
Quando os trovadores (da quadra), em 20 de agosto de 1966, rompendo com a estrutura quase folclórica do Grêmio Brasileiro de Trovadores, fundaram a União Brasileira de Trovadores (UBT) os representantes da antiga entidade no Espírito Santo, passaram para a nova casa de trovadores.
Em 1967 são realizados dois jogos florais: um em Alegre e outro em Cachoeiro de Itapemirim.
Depois disso, a prática da trova no Espírito Santo restringiu-se às atividades isoladas de uns poucos abnegados, até que se fez alguma coisa pelo Trovismo, pelos fins dos anos sessentas e inícios da década iniciada em 1970.
Que fale, pois, o professor José Augusto Carvalho, ex-delegado municipal da UBT e organizador da UBT de Vitória:
“Trabalhei, realmente, pelo Trovismo em Vitória, em meados da década de 60, entre, talvez 1966 e 1968, e cheguei a manter uma coluna semanal no jornal A GAZETA, de Vitória, informando sobre trovas e angariando simpatizantes do movimento, graças ao incentivo maior de Joubert do Araújo Silva e Hilário Soneghet, este já falecido e exímio sonetista. Mas, assim que foi fundada a seção capixaba da UBT, como a diretoria eleita era toda de Vila Velha, cidade vizinha 12km da capital, o movimento se transferiu para lá e, em 1980, se tornou no Clube dos Trovadores Capixabas (...)“.
Foi essa seção da UBT de Vila Velha que, em 1971, organizou um concurso de trovas sobre PELÉ.
Depois disso as coisas silenciaram-se. Até 1980, felizmente.
CONCURSOS DE TROVAS E JOGOS FLORAIS
CIDADE DE ALEGRE, ESPÍRITO SANTO - EVANDRO MOREIRA.
Em 1967 foram realizados os I JOGOS FLORAIS DE ALEGRE, graças ao trabalho intenso de um jovem e abnegado poeta: EVANDRO MOREIRA.
Mobilizando a comunidade alegrense e contando com o patrocínio da Prefeitura Municipal de Alegre, então administrada pelo prefeito Antônio Lemes Júnior, Evandro pode levar a bom termo aquele importante evento cultural.
Dois eram os temas: ALEGRIA e FRATERNIDADE. Não havia delimitação de gêneros (humorismo, lirismo, etc.).
No primeiro tema foram premiadas as seguintes trovas:
1º lugar - DURVAL MENDONÇA:
Brilha o rosto de Maria
na gruta pobre de Iuz
ante a suprema alegria
de ser a mãe de Jesus.
2º lugar - JOUBERT DE ARAÚJO SILVA:
Retrata a imagem da vida
a moenda rude e inclemente:
- Chora a cana, ao ser moída...
- range a moenda, contente!
3º lugar - SOLIMAR DE OLIVEIRA:
Nesta existência a alegria,
experimenta e verás!
Está na doce poesia
de todo bem que se faz...
4º lugar - FERRER LOPES:
Alegria... ó alegria!...
afinal, quem é que a tem?
- Tendo a barriga vazia,
nem tu, nem eu, nem ninguém.
5º lugar - JOSÉ VALERIANO RODRIGUES:
Minha alegria não passa
de uma risada bem cheia,
que fica logo sem graça
se a dentadura bambeia.
6º lugar - JOSÉ MORCEF CAMPOS:
Alegria, algo fremente
Que se não pode ocultar;
ou grita no riso quente,
ou brilha na luz do olhar.
7º lugar - MARIA DE LOURDES SANTOS:
Alegria é corno as águas
de um remanso cismador
que passam levando as mágoas
dos que padecem do amor...
8º lugar - CIRO VIEIRA DA CUNHA:
Do teu amor (quem diria?)
que só três meses durou,
resta a saudade - alegria
da tristeza que ficou...
9º lugar - SANTIAGO VASQUES FILHO
Alegria do operário
dura pouco, é reduzida:
- a lei que aumenta o salário
dispara o custo de vida.
10º lugar - SEBASTIÃO NORONHA:
Por mais que sofra, na luta
em que se esforça e porfia,
quem cumpre o dever desfruta
a verdadeira alegria.
No tema FRATERNIDADE, classificaram-se as seguintes trovas:
1º lugar - MARIO MORCEF CAMPOS:
Ama! Até sentir, então,
batendo no peito imerso,
o coração do universo
no teu próprio coração.
2º lugar - JOUBERT DE ARAÚJO SILVA:
Segue, filho este caminho
se queres ser bom cristão:
- Bebe menos do teu vinho,
- reparte mais o teu pão.
3º lugar - HERALDO LISBOA:
Fraternidade... quem dera
fosse outro o barro da gente,
pois se semente não gera
não cabe culpa à semente.
4º lugar - SOLIMAR DE OLIVEIRA:
Fui leal. Ouvi parolas.
Fui fraterno. Amigo. Irmão.
E hoje quase peço esmolas
depois de ter dado pão.
5º Iugar - LILINHA FERNANDES:
Fraternidade ultrajada
ainda mais se santifica.
Se a árvore boa é podada,
com mais vigor frutifica.
6º lugar - ATHAYR CAGNIN:
Indiferente à maldade,
vou traçando de alma ungida,
o giz da fraternidade
no quadro negro da vida...
7º lugar - DURVAL MENDONÇA:
Vive louca a humanidade
sempre em termos de agressão:
- invoca a Fraternidade
com a baioneta na mão.
8º lugar - MARIA HELENA:
Dá um riso aberto em dia
Se o pobre te estende a mão:
- Que às vezes uma alegria
É mais pão que o próprio pão.
9º lugar - SOLIMAR DE OLIVEIRA:
Neste exemplo se descobre
a Fraternidade, irmão:
- um pobre com outro pobre
dividindo o próprio pão.
10º lugar - NORDESTINO FILHO:
Fraternidade, meu bem,
só se diz Fraternidade
quando, aIém da caridade,
não se faz mal a ninguém.
CACHOEIRO DE ITAPEMIRIM, ESPÍRITO SANTO.
Cachoeiro de Itapemirim é uma terra de bons poetas. Poucas cidades do interior brasileiro poderão orgulhar-se de, ao longo de sua história, apresentar tantos e tão bons poetas, quanto a terra de Rubem Braga.
Ali, entre 1966 e 1967, foram realizados Os I JOGOS FLORAIS DE CACHOEIRO, organizados pela Academia Cachoeirense de Letras, “sob os auspícios da Municipalidade, por isso decorrentes da Lei Municipal nº 054, de 16 de maio de 1966”.
Tudo isso sob o comando do incansável Solimar de Oliveira, então presidente da ACL.
Esses jogos constaram de cinco prêmios ou concursos diferentes, a saber:
Prêmio Benjamim Silva”- Trovas - 657
“Prêmio Newton Braga” - Poemas - 526
“Prêmio Rubem Braga” - Crônicas - 65
'Prêmio Claudionor Ribeiro” - Contos- 52
'Prêmio Bernardo Horta” - História - 2
TOTAL 1303
Finalmente, para alegria dos organizadores, após vasto programa, no dia 7 de setembro de 1967, foram entregues os prêmios aos vencedores.
Nunca o Espírito Santo tivera uma promoção cultural tão vasta e expressiva, tais foram as atividades constantes do programa e cumpridas britanicamente.
Estas foram as trovas vencedoras:
1º lugar - COLBERT RANGEL COELHO:
Noivado no mundo inteiro
Foi sempre assim entre os dois:
O noivo espera primeiro,
A noiva espera depois.
2º lugar - MANUELA ABRANTES:
Eu vejo no teu vestido,
mulher esbelta e risonha,
tanta falta de tecido
com falta de vergonha.
3º lugar - COLBERT RANGEL COELHO:
Eu não sei se o sol desponta
Ou se ainda é madrugada...
Quando estou por tua conta
Não dou conta de mais nada.
4º lugar - CARLOS MANUEL DE A. S. ABRANTES:
Amor, embora sensato,
Sem dinheiro, desconsola...
É como usar bom sapato,
De polimento, sem sola!
5º lugar - PAULO EMÍLIO PINTO:
Que luta quando eu a vejo
tão sedutora e inocente!
Já viu respeito e desejo
brigando dentro da gente?
6º lugar - HÉLlO C. TEIXEIRA:
Alma, que sonhas na altura,
vendo a beleza dos astros,
tornas maior a tortura,
de andar na terra de rastros!
7º lugar - COLBERT RANGEL COELHO:
Quando a gente perde o tino,
Como perdi de repente,
Uma mulher sem destino
Faz o destino da gente.
8º lugar - APARÍCIO FERNANDES:
Neste exemplo se presume
um prêmio às almas formosas:
Fica sempre algum perfume
nas mãos que oferecem rosas.
9º lugar - CARLOS MANUEL DE A. S. ABRANTES:
Na vida, constantemente,
a mulher se contradiz,
às vezes diz o que sente,
mas nunca sente o que diz.
10º lugar - DAVID DE ARAÚJO:
Bendito de quem consome
da vida os anos a fio,
dando pão a quem tem fome
e agasalho a quem tem frio.
CIDADE DE VILA VELHA, ESPÍRITO SANTO.
Vila Velha, como já dissemos, também teve seu concurso de trovas, uma promoção brilhante e ousada pois mereceu destaque em órgãos de imprensa a nível Nacional, como a Revista de Esportes muito popular na época e editada no Estado de São Paulo de nome PLACAR.
Foi em 1971, um Concurso Nacional de TROVAS com o tema PELÉ. Edson Arantes do Nascimento, o Rei Pelé, um jogador de futebol em pleno sucesso na época do Concurso em 1971. O vencedor do I CONCURSO DE TROVAS DE VILA VELHA, organizado pela UBT local, sob a Presidência de Clério José Borges de Sant Anna foi o saudoso trovador Cesídio Ambrogi, da cidade de Taubaté, no Estado de São Paulo, com esta trova:
Que o Brasil todo enalteça,
tanto a Rui, como a PELÉ.
Se um o honrou pela cabeça,
o outro o honrou usando o pé.
OBSERVAÇÃO: Cesídio Ambrogi (Natividade da Serra, 22 de maio de 1893 — Taubaté, 27 de julho de 1974) foi um dos maiores nomes da intelectualidade valeparaibana do século XX, atuando como um notável trovador, poeta, professor e jornalista. Embora nascido em Natividade da Serra, consolidou sua trajetória em Taubaté, onde se tornou uma figura cultural de destaque. Reconhecido como sonetista emérito e trovador notável, era conhecido por sua poesia eclética. Foi um dos grandes nomes da União Brasileira dos Trovadores (UBT) em Taubaté, recebendo o título de Presidente Perpétuo da UBT - Taubaté. É Patrono da Cadeira 02 da Academia Taubateana de Letras (ATL).
Cesídio é homenageado em Taubaté com o nome de uma Escola. A Escola Estadual "EE Professor Cesídio Ambrogi" fica localizada na Avenida Gabriel Ortiz Monteiro - Vila Nogueira, Taubaté - SP, CEP: 12060-670.
CLUBE DOS TROVADORES CAPIXABAS
Conforme vimos, antes, a UBT não teve uma existência muito fértil no Espírito Santo.
Parece que ela não se transformou no Clube dos Trovadores Capixabas (CTC) como disse o professor da Universidade Federal do Espírito Santo, José Augusto Carvalho.
Da UBT, no Espírito Santo, porém, sobrou o exemplo que, tal qual a Fênix, renasceria no CTC.
Esse exemplo sobrou principalmente em/e para o penúltimo presidente da UBT de Vitória e Vila Velha, um jovem de 20 anos, nascido em 15 de setembro do 1950: CIério José Borges de Sant`Anna.
Não nos é difícil compreender - a nós que vivemos experiência semelhante - quanto pesa ver alguma coisa em que se depositou todo o desprendimento juvenil tombar sob a guilhotina inexorável dos acontecimentos.
Então, CIério José Borges, entre seus compromissos de trabalhador, chefe de família e estudante, passou a freqüentar bibliotecas à cata de materiais relacionados com a trova no território capixaba.
Numa dessas idas e vindas, em busca de informações úteis aos seus planos de pesquisa, na Biblioteca Pública de Vitória, deu de cara com “O TROVISMO”, um Iivro de Eno Teodoro Wanke, historiando o movimento dos modernos trovadores brasileiros.
Visto que ali quase nada se encontra com relação à trova em terras espírito-santenses, Clério José, feito uma fera, escreveu ao autor do livro.
Acabaram ficando amigos.
Dessa amizade surgiu a idéia de reativar o movimento em torno da trova em terras capixabas.
Sabe-se que CIério José pretendia uma entidade basicamente local. Somente “capixaba'. Aos poucos se convenceu de que era necessário criar vínculos entre os trovadores capixabas organizados e trovadores de outras plagas.
Esclareça-se que o CTC entende, 'para efeito de inscrição no Clube, como capixaba o (trovador) nascido no Espírito Santo e os que residam no Estado'.
Assim é que o Clube dos Trovadores Capixabas foi fundado em 1º de juIho de 1980.
DETALHES
1967 - A edição de 7 de janeiro de 1967 do Caderno Literário do Jornal “A Gazeta”, de Vitória - ES, publica uma página com pequenas poesias denominadas de “Trovas” de diversos Trovadores Brasileiros, entre os quais, Antônio Augusto de Assis, de Maringá - PR e Alfredo de Castro, da cidade de Pouso Alegre, MG. Na mesma edição é publicado o soneto “Apelo”, do Escritor Paranaense, Eno Teodoro Wanke. Junto com o Caderno Literário, o Jornal “A Gazeta”, publicava naquele dia o Suplemento Infantil, A Gazetinha, que trazia um conto infantil de Clério José Borges, com o título “Três Desejos”.
1968 - Clério José Borges integrou a UBT - União Brasileira de Trovadores, seção de Vila Velha e Vitória, sendo o terceiro Presidente, de 1968 a 1969 e, em 1970 entregou a Presidência ao Poeta Edson Faioli, residente no bairro da Glória, em Vila Velha, que não conseguiu manter e administrar a entidade, tendo a mesma se tornado inativa. A UBT só foi reativa por um período curto, quando Clério recebeu um documento datado de 1º de janeiro de 1981, assinado pelo Presidente Nacional, Trovador Carlos Guimarães, em que Clério José Borges é nomeado Delegado da UBT - União Brasileira de Trovadores em Vitória – ES. Permaneceu no cargo até 30 de março de 1981, quando foi eleito primeiro Presidente da UBT em Vitória, o Advogado, Dr. Carlos Dorsch.
Para divulgar a nova entidade cultural, Clério criou o Jornal Mimeografado Estandarte, Órgão de divulgação da UBT - Vitória, tendo sido publicados 5 números, com tiragem de 300 Exemplares cada edição, em sua maioria encaminhada pelos Correios para poetas trovadores em várias cidades brasileiras.
No dia 02 de outubro de 2015, Clério José Borges com o apoio do Vereador Namy Chequer promove uma Sessão Solene em homenagem ao Dia Municipal da Trova em Vitória, ocasião em que é homenageada a Presidente Nacional da UBT, Trovadora Domitila Beltrame.
No Brasil, o primeiro movimento de organização de Trovas e Trovadores foi realizado pelo Trovador Luiz Otávio, pseudônimo do Cirurgião Dentista, Gilson de Castro. Um marco importante foi o lançamento do livro "Meus Irmãos, os Trovadores" (1956), quando Luiz Otávio reuniu milhares de trovas e iniciou o movimento fundando inicialmente, com Rodolfo Coelho Cavalcante, de Salvador, Bahia, o Grêmio Brasileiro de Trovadores, GBT. Surgem divergências entre os Trovadores do Nordeste e do Sul do país e, então Luiz Otávio funda no Rio de Janeiro, em 21 de agosto de 1966, a União Brasileira de Trovadores (UBT). Na época a cidade do Rio de Janeiro era o então Estado da Guanabara.
A UBT logo estendeu suas raízes por todo território nacional, promovendo concursos, jogos florais, reuniões de estudo, congressos e encontros trovadorescos, sendo constituída por Delegacias e Seções Municipais e Estaduais. Tem como emblema um brasão com o símbolo de uma rosa, que é o mesmo para todas as Seções filiadas, alternando apenas a legenda, que denomina o nome de cada cidade. O padroeiro é São Francisco de Assis.
A UBT de Vitória é reativada em 2015, sendo empossado como Presidente o Trovador Matusalém Dias de Moura. Na referida Sessão solene Clério recebe o Diploma de Honra ao Mérito em reconhecimento aos relevantes serviços prestados à população de Vitória. Diploma datado de 02 de outubro de 2015, assinado pelo Presidente da Câmara Municipal de Vitória, Vereador Namy Chequer. Após o término do seu mandato de dois anos, o Trovador Matusalém entrega a Presidencia ao poeta Edy Soares que logo em seguida passa o mandato para a Trovadora de Vila Velha, Andra Valadares que em dezembro de 2025 postou a seguinte mensagem no Grupo da Academia de Letras de Vila Velha, “olá Confrades e Confreiras, bom dia! Gostaria de saber se alguém da ALVV gostaria de ser um divulgador da trova e participar da União Brasileira de Trovadores. Estamos reorganizando a UBT no Espírito Santo e precisamos de membros. Quem tiver interesse, favor me enviar uma mensagem diretamente. Grata. ”