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Escritor e Historiador Clério José Borges
Comendador, Poeta Trovador Capixaba. Figura proeminente na cena cultural do Espírito Santo.
Textos

Cinema - Coluna Crítica: Mel de Abelha e Pipoca - Crítica de Filmes e Séries:

 

Análise Crítica de "No Tempo das Diligências" (Stagecoach), lançado em 1939, de John Ford

 

              Pesquisa, análise e autoria do Texto: Clério José Borges.

 

O filme "No Tempo das Diligências" (Stagecoach), lançado em 1939 e dirigido por John Ford, é considerado por mim Clério José Borges como um dos maiores marcos da história do cinema por ter elevado o gênero faroeste ao status de arte séria. No Tempo das Diligências é uma obra-prima obrigatória. Para se ver e rever. A obra é famosa por revelar John Wayne ao estrelato e por sua inovadora profundidade psicológica dos personagens.

A trama acompanha um grupo heterogêneo de nove estranhos que viajam em uma diligência pelo território do Arizona e Novo México. O trajeto é extremamente perigoso devido à ameaça de um ataque iminente dos guerreiros Apaches, liderados por Gerônimo. Durante a jornada, o confinamento do veículo força a interação entre pessoas de diferentes classes sociais e códigos morais, revelando preconceitos e atos inesperados de heroísmo.

Personagens Principais

O filme utiliza arquétipos do Velho Oeste para explorar temas como redenção e julgamento social:

The Ringo Kid (John Wayne): Um fora da lei que fugiu da prisão para vingar a morte de sua família, mas que demonstra ser o personagem mais íntegro do grupo.

Dallas (Claire Trevor): Uma prostituta expulsa da cidade por uma liga de moralidade que busca uma nova vida.

Doc Boone (Thomas Mitchell): Um médico alcoólatra com um passado nobre, papel que rendeu a Mitchell o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante.

Lucy Mallory (Louise Platt): Uma "dama" sulista grávida que viaja para encontrar seu marido oficial da cavalaria.

Hatfield (John Carradine): Um jogador e ex-oficial confederado que se torna o protetor aristocrático de Lucy.

Importância Técnica e Histórica

Foi o primeiro filme de Ford a usar as formações rochosas de Monument Valley como cenário, transformando o local no símbolo visual definitivo do faroeste americano. O diretor Orson Welles afirmou ter assistido ao filme mais de 40 vezes para aprender técnicas de enquadramento e narrativa antes de filmar Cidadão Kane. O roteiro de Dudley Nichols destaca que os personagens marginalizados pela sociedade (o fora da lei, a prostituta e o bêbado) são os que agem com maior moralidade sob pressão, enquanto os "respeitáveis" (como o banqueiro corrupto) falham.

Indicado para sete Oscar (melhor filme, diretor, montagem, fotografia P&B, direção de arte, trilha sonora e ator coadjuvante-Thomas Mitchell), vencendo os dois últimos, o filme foi eleito como um dos 10 melhores filmes de 1939 pelo National Board of Review.

Com seu visual magnífico e uma narrativa envolvente, “No Tempo das Diligências” é o primeiro dos grandes momentos da parceria entre John Ford e John Wayne, que se estabeleceram ao longo dos anos como dois ícones do western.

“No Tempo das Diligências” é um western clássico no sentido amplo da palavra, com todos os personagens e componentes narrativos característicos do gênero. Repleto de seqüências marcantes, que se tornaram referência ao longo dos anos, com personagens cativantes e uma inteligente crítica social, o longa é certamente um dos mais importantes do gênero e ainda hoje é entretenimento de primeira.

O diretor vencedor do Oscar pelo thriller O Delator (1935) realiza um western épico, filmado em locações reais, no Monument Valley, no árido Arizona, na fronteira com Utah. A ideia de adaptar um conto de Ernest Haycox (“The Stage to Lordsburg”) era desafiadora. A trama acompanha uma viagem de diligências em todo o Oeste americano, com a previsão de várias de sequências de ação.

Em 1938 não havia nenhuma estrada pavimentada através de Monument Valley, e era inviável levar equipamentos para filmagens naquele local. Razão pela qual ainda não tinha sido utilizado como um local de filme antes. Além disso os westerns (de primeira linha) haviam sido deixados de lado com a produção de filmes falados. Em pleno Deserto de Mojave, John Ford apresenta seu protagonista em uma cena memorável. Entre o distanciamento quase sem foco, até um enquadramento perfeito, temos a indecisão entre o que é certo e errado. Com essa sequência, tudo que precisamos saber é na verdade uma pergunta: Afinal, devemos confiar neste homem? Dentro da diligência, o que se vê no grupo de personagens é microcosmo de uma sociedade cheia de camadas. Inevitavelmente veremos confrontos particulares, que colocam à prova o caráter de alguns, enquanto outros até revivem fantasmas do passado em busca de uma segunda chance.

A brutal diferença entre os planos gerais dos descampados do Oeste, aqui e ali pontuados por aquelas formações rochosas, e os close-ups dos sete passageiros apertados dentro da diligência. A disparidade entre a imensidão sem fim e a claustrofobia. Esse confronto do aberto-fechado, amplo-pequeno parece-me ser o destaque neste Filme que John Ford lançou em 1939. Dentro da diligência, apertados ali naquele pequeno espaço, entre a cidade de Tonto e Lordsburg, com paradas previstas em Dry Fork, Apache Wells e Lees Ferry, vão a dama, a prostituta, o banqueiro, o médico bêbado, o comerciante, o jogador e o caubói. Lá no alto, do lado de fora, o cocheiro e o xerife. Uma mostra interessante da Sociedade da época.

A prostituta Dallas (o papel de Claire Trevor) está sendo expulsa da cidadezinha de Tonto pelo auxiliar do xerife, atendendo a exigência das senhoras da Liga da Decência, Lei e Ordem. Justamente no momento em que ela é levada para a diligência que acaba de fazer uma parada em Tonto, o dr. Josiah Boone (o papel de Thomas Mitchell) está sendo expulso, por insolvência financeira, da pensão onde vivia. O dr. Boone é um bom médico quando está sóbrio – o problema é que ele vinha ficando sóbrio durante raríssimos momentos, nos últimos tempos.

E então se encontram, a prostituta e o médico bêbado que estão sendo expulsos da cidade ao mesmo tempo. Dallas pede a ajuda do médico: – “Eles têm o direito de fazer isso comigo, doutor?” Ao que ele responde: – “Nós dois somos vítimas dessa doença chamada preconceito social, minha criança!” Preconceito social é um tema importante de Stagecoach. Estará presente ao longo de toda a narrativa.

Um detalhe também fascinante é a opção do mestre Ford e de seu roteirista, o grande Dudley Nichols, pela elipse exatamente no clímax do final da narrativa. Ao longo de seus curtos 96 minutos, há tudo, tudo o que um bom western deve ter: cenas em saloon, jogadores de cartas, bebedores de uísque, roubo, romance, o jornal da pequena cidade, a Cavalaria, o medo de um ataque dos índios, o ataque dos índios. E, é claro, a confrontação final, o duelo entre o mocinho e o(s) bandido(s).

O cinema de John Ford não necessita de muitas palavras. Em diversos momentos, apenas as imagens são capazes de transmitir a mensagem pretendida ao espectador. Olhares, gestos e pequenos movimentos fazem com que a plateia perceba algo a respeito de determinado personagem, como a atração entre Ringo e Dallas, que vai se tornando evidente na medida em que a narrativa avança, sem que eles precisem dialogar para isto. Somente através dos olhares, sempre destacados pela câmera hábil de Ford, o espectador percebe tudo. Por isso, os diálogos surgem apenas quando necessários, o que não quer dizer que o longa tenha um ritmo lento. Pelo contrário, a narrativa envolvente é um dos trunfos de “No Tempo das Diligências”.

Viajando numa diligência para Lordsburg, um grupo de estranhos encontra o foragido Ringo Kid (John Wayne), que é preso imediatamente por seu amigo delegado Curly Wilcox (George Bancroft). Além de Curly, Ringo se junta ao bêbado Dr. Boone (Thomas Mitchell), a prostituta Dallas (Claire Trevor), ao banqueiro Henry Gatewood (Berton Churchill), ao jogador Hatfield (John Carradine), a esposa de um oficial Lucy Mallory (Louise Platt), ao vendedor de uísque Samuel Peacock (Donald Meek) e ao condutor Buck (Andy Devine). No meio do caminho, eles são avisados que o índio Gerônimo e seus guerreiros apaches estão no caminho. O grupo terá de enfrentar os selvagens antes de alcançar seu destino e permitir que Ringo acerte as contas com seu desafeto Luke Plummer.

O Final é considerada uma grande sacada do diretor. Só que o espectador não vê o duelo final. Mestre Ford não o mostra. Mostra os preparativos, a confrontação sendo armada, mocinho e bandido indo para a rua – e aí corta, e não vemos o duelo em si.

Uma beleza de sacada.

 

Resumo da história: Uma simples viagem de diligência é complicada pelo facto de Gerônimo estar em pé de guerra na zona. Os passageiros da diligência incluem um médico bêbado, duas mulheres, um gerente bancário que fugiu com o dinheiro do seu cliente.

 

NO TEMPO DAS DILIGÊNCIAS (1939)

(Stagecoach)

Dirigido por John Ford.

Elenco: Claire Trevor, John Wayne, Andy Devine, John Carradine, Thomas Mitchell, Louise Platt, George Bancroft, Tim Holt, Donald Meek e Berton Churchill.

Roteiro: Dudley Nichols e Ben Hecht, baseado em história de Ernest Haycox.

Produção: John Ford (não creditado).

 

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          O filme foi assistido por mim, Clério José Borges pelo menos umas 10 (DEZ) Vezes. Mais recentemente em Fevereiro de 2026.

 

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          Classificação final: Altamente recomendado

 

          Avaliação de Zero a Dez: Nota 10.  (DEZ COM LOUVOR) -  FILME ÓTIMO.

 

          Excelente Direção, excelente roteiro e excelente desempenho dos atores principais e da equipe (atores) de apoio do filme.

 

Recomendáveis ainda com NOTAS DEZ: Cidadão Kane e o clássico “Shane” que no Brasil recebeu um título horrível: “Os Brutos Também amam”

 

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OBSERVAÇÃO

 

          A Coluna Jornalística, Mel de Abelha e Pipoca - Crítica de Filmes e Séries foi criada pelo Escritor Capixaba Clério José Borges na madrugada do dia 10 de Janeiro de 2026 quando resolveu tecer algumas avaliações sobre Filmes e Séries que tem assistido nos últimos anos, CLÁSSICOS do Cinema e Filmes e Séries nos canais de serviços de streaming ou plataformas de streaming como Netflix, Amazon Prime Video, Disney+, Max e outras que oferecem acesso a um vasto catálogo de conteúdo de vídeo (filmes, séries, documentários, etc.) que pode ser assistido a qualquer momento, em diversos dispositivos conectados à internet.

 

          Dois motivos levaram a tecer tais comentários:

 

         1) - Com os comentários consigo registrar e relacionar todos os Filmes e Séries assistidas, procurando valorizar o trabalho da Direção e dos atores.

 

         2) - Lembrar os tempos antigos em que militei na Imprensa Capixaba, como Crítico de Cinema, trabalhando na Redação com ídolos do Jornalismo Capixaba, como por exemplo, CBR - Cláudio Bueno Rocha e Vinícius Paulo Seixas no Jornal A Tribuna de Vitória, Capital do Estado do Espírito Santo.

 

 

 

          Em definitivo o título da coluna ficou:

 

          Cinema - Coluna Crítica: Mel de Abelha e Pipoca - Crítica de Filmes e Séries.

(O adocicado do mel misturado a pipoca para degustar, enquanto se assiste um filme ou uma série).

 

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        CLÉRIO BORGES, JORNALISTA PROFISSIONAL, COM CARTEIRA ASSINADA E CRÍTICO DE CINEMA.

 

         Clério José Borges trabalhou no jornal A Tribuna, em Vitória (ES), no período de 1969 a 1972. Durante esses anos, ele percorreu diversas etapas da carreira jornalística:

 

          Começou como foca (Estagiário), em 1969. Foi promovido depois a Repórter e Redator.

          Atuou em diversas editorias, desde Editoria Geral até a Editoria Política até encontrar sua real vocação. Ser um Crítico de Cinema, especializando-se como comentarista e crítico de filmes.

 

          Foi promovido a Chefe de Reportagem, cargo máximo que alcançou antes de encerrar seu ciclo no jornal A TRIBUNA. Trabalhou também, durante algum tempo no jornal O Diário, de Vitória, ES. O Jornal está atualmente extinto. Após breve período no “Diário” da Rua Sete, como era chamado o Jornal, passou a ministrar vários Cursos de Iniciação ao Jornalismo e Comunicação Social em várias cidades do Espírito Santo e de Minas Gerais, orientando durante um período de aproximadamente dois anos, mais de Dez mil alunos. Em seguida fez Concurso Público, ingressando no Serviço Público Estadual na área de Segurança Pública, trabalhando durante 35 anos como Escrivão da Polícia Civil, (atualmente o Cargo é Oficial de Polícia Civil) período em que recebeu as Medalhas de Bronze, Prata e Ouro por serviços prestados a Comunidade Capixaba. Como Escrivão realizando a oitiva das pessoas, conseguiu subsídios para a publicação de um Livro denominado de "Dicionário Regional de Gírias e Jargões da Malandragem" cujo lançamento oficial no dia 19 de abril de 2012, no Estado do Espírito Santo, viabilizado pela Lei de Incentivo à Cultura do Município de Serra, ES, a Lei Chico Prego.

 

          Além de seu trabalho com Carteira Profissional assinada, no Jornal A Tribuna, de Vitória, ES, Clério José Borges foi correspondente da "Revista Intervalo" na mesma época, onde ganhou destaque por cobrir o episódio em que o cantor Tony Tornado saltou sobre a plateia no Festival de Verão de Guarapari, em 1971. A Revista Intervalo (1963–1972) foi a primeira grande publicação impressa brasileira dedicada exclusivamente ao universo da televisão. Lançada pela Editora Abril, trazia programação de TV, notícias sobre celebridades, bastidores das emissoras, fotonovelas e cartazes, consolidando-se como um guia essencial para o telespectador nos anos 1960.

 

 

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BIOGRAFIA RESUMIDA:

 

          Clério José Borges é Escritor, Historiador, Poeta, Comendador e Trovador Capixaba. Nasceu em Vila Velha, Espírito Santo. Fundou e preside desde 1º de julho de 1980 o Clube dos Trovadores Capixabas CTC, que no dia 18 de novembro de 2017 transformou-se na Academia ACLAPTCTC, Academia de Letras e Artes de Poetas Trovadores. Foi fundador e primeiro Presidente da Academia de Letras e Artes da Serra, de sigla ALEAS. É morador do Município da Serra, ES, desde 1979 e Cidadão Serrano desde 26 de dezembro de 1994. Foi Jornalista dos Jornais A TRIBUNA e O DIÁRIO, de Vitória, ES, onde atuou de Foca a Chefe de Reportagem se especializando como comentarista e crítico de Filmes. Foi Conselheiro Titular do Conselho Estadual de Cultura do Espírito Santo, de 1989 a 1993 e Conselheiro Suplente e Colaborador de 1993 ao ano 2002. Conselheiro Titular da Câmara de Literatura do Conselho Municipal de Cultura da Serra, de 24/09/1997 a 20/07/2012, ou seja, durante o período de 14 anos, 09 meses e vinte dias. É Senador da Cultura, título recebido pela Sociedade de Cultura Latina do Brasil e, é Mestre da Cultura Capixaba. Possui pouco mais de quinze livros publicados, sendo alguns individuais e outros como organizador de Coletânea e Antologias, destacando-se as obras, “Serra, Colonização de uma Cidade” e a obra em forma de Livreto da Literatura de Cordel, "O Vampiro Lobisomem de Jacaraípe" e o Livro “Dicionário Regional de Gírias e Jargões" É Técnico de Contabilidade e estudou Pedagogia e Direito na UFES. Pertence a diversas entidades, Associações e Academias de Letras e Artes no Espírito Santo, no Brasil e no Exterior.

 

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Clério José Borges
Enviado por Clério José Borges em 20/02/2026
Alterado em 20/02/2026
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