Trovas, Neotrovismo, Literatura, Livros, Movimento Trovadoresco, Trovismo, Trovadorismo, Trova, Poesia, Cultura Popular
Escritor e Historiador Clério José Borges
Comendador, Poeta Trovador Capixaba. Figura proeminente na cena cultural do Espírito Santo.
Textos

ACADEMIA DE LETRAS E ARTES DOS POETAS TROVADORES:

GUARDIÕES DA NOSSA CULTURA VIVA!

ACADEMIA DE LETRAS E ARTES DOS POETAS TROVADORES: GUARDIÕES DA NOSSA CULTURA VIVA!

 

A Academia Capixaba de Letras e Artes de Poetas Trovadores (ACLAPTCTC) nasceu em 18 de novembro de 2017 e hoje é comandada pelo poeta Clério José Borges de Sant Anna. Ela é tipo um tesouro vivo que protege as tradições do Espírito Santo e do Brasil todo.

Imagina: num mundo cheio de redes sociais e globalização, esses caras mantêm viva a poesia do povo, mostrando quem a gente é de verdade!

 

1. POR QUE GUARDAR NOSSA HISTÓRIA?

Guardar a memória de um povo não é só juntar papéis velhos. É como o historiador francês Pierre Nora dizia: instituições como essa são "lugares de memória", spots especiais onde a gente passa adiante as histórias e tradições da família brasileira.

No Espírito Santo, a ACLAPTCTC transforma o poeta trovador num herói do dia a dia, resgatando rimas antigas da nossa terra, misturadas com o jeitão capixaba.

 

2. POESIA NA PRÁTICA, PARA O POVO TODO!

Uma academia de verdade não fica só no blábláblá de livros. Ela junta teoria com ação: ensina, cria e espalha conhecimento na rua! O poeta aqui organiza nossas histórias bagunçadas em algo que faz sentido, e a poesia dá nova vida à nossa língua e cultura.

Na ACLAPTCTC, o foco é a trova, essa poesia rimada e certinha que vem do Neotrovismo, ideia do grande Eno Teodoro Wanke. Clério José Borges luta para isso não morrer, misturando técnica afiada com o sentimento popular. Aqui, poesia sai das salas chiques, dos auditórios e invade praças, ruas – nada de torre de marfim! É poesia para mudar o mundo, fortalecendo quem a gente é e abrindo as portas para todas pessoas curtirem.

 

3. A ACADEMIA QUE PULSA VIVA.

O movimento dos trovadores capixabas começou em 1980 com o Clube dos Trovadores Capixabas, que virou essa academia top, a ACLAPTCTC. Foi a primeira turma organizada de poetas de trova no ES, e ajudou o Brasil inteiro a valorizar essa arte.

Diferente de um Museu parado, essa academia é viva: ensina, cria e passa o bastão  para os mais novos. Grandes nomes como Narceu Paiva Filho, João Roberto Vasco Gonçalves, Matusalém Dias de Moura, Emílio Soares da Costa, Rocha Ramos, Albércio Nunes Vieira Machado, Moacir Malacarne, Teodorico Boa Morte, Elmo Elton, Obed Emmerich, Paulo Freitas, Beatriz Abaurre, Milson Henriques, Sérgio Soares Dutra e Edy Soares transformaram a trova de brincadeira solitária em um movimento forte no Estado do Espírito Santo e no país.

 

4. NO MUNDO RÁPIDO DE HOJE, A ACLAPTCTC RESISTE!

Numa era de TikTok e mudanças rápidas, essa academia é resistência pura: protege nossas rimas e identidade capixaba contra a mesmice global. Ela renova o ofício do trovador, mantendo nossa cultura fresca e forte. É mais que história – é orgulho de ser quem somos!

 

CANAIS PARA VOCÊ CURTIR E PARTICIPAR:

1)      Sarau Poético Mensal: Sábado Cult

2)      Dia Estadual do Poeta Trovador

3)      Dia Municipal da Trova

4)      Congressos Brasileiros de Poetas Trovadores

5)      Rádio dos Poetas Trovadores

6)      Televisão dos Poetas Trovadores

7)      Site Oficial da Academia de Letras e Artes, ACLAPTCTC: https://aclaptctcoficial.com.br

8)      Secretaria Oficial da ACLAPTCTC: secretariaaclaptctc.com.br

9)      Instagram: @academiaaclaptctcoficial

10)  Mapa da Cultura ES: https://mapa.cultura.es.gov.br/espaco/1287/

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PRIMEIRO EXEMPLO DE TROVA:

Oh linda trova perfeita,

que nos dá tanto prazer!...

- Tão fácil, - depois de feita...

tão difícil, de fazer...

Trova de Adelmar Tavares, Trovador, da Academia Brasileira de Letras. - Adelmar Tavares (Adelmar Tavares da Silva Cavalcanti), advogado, professor, jurista, magistrado e poeta, nasceu em Recife, PE, em 16 de fevereiro de 1888, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 20 de junho de 1963.

• SEGUNDO EXEMPLO DE TROVA:

Nesta casa tão singela,

Onde mora um Trovador

É a mulher quem manda nela

Porém nos dois manda o amor.

Trova de Clério José Borges, Poeta Trovador Capixaba. Nascido em Vila Velha ES, foi Presidente fundador do CTC, Clube dos Trovadores Capixabas, fundado em 01 de julho de 1980, entidade cultural de divulgação da Trova no Brasil hoje denominada Academia Capixaba de Letras e Artes de Poetas Trovadores, ACLAPTCTC. Clério pertence a várias Academia de Letras no Brasil e Exterior.


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O primeiro coletor de Trovas Populares em terras capixabas, com registros nos anais da história, foi o primeiro Governador Republicano, Afonso Cláudio de Freitas Rosa, que publicou no Rio de Janeiro, em 1921, o livro “Trovas e Cantares Capixabas”, no qual reuniu 21 Trovas. Eis duas delas:

Mandei fazer um barquinho,

da casca do camarão,

o barco saiu pequeno,

só coube meu coração.

Você diz que mal de amor,

não mata quem está alerta;

Pois eu ouvi de um doutor,

Que amar é ter cova aberta.

Afonso Cláudio nasceu na antiga Província do Espírito Santo, Freguesia da Barra do Mangarai, do Município de Porto Cachoeiro de Santa Leopoldina, na Fazenda de Mangaraí, em 2 de agosto de 1859. Estudou nas Faculdades de Direito de Recife e depois São Paulo. Tomou posse como primeiro Governador do Estado a 20 de novembro de 1889. Publicou vários livros. Faleceu no Rio de Janeiro a 16 de Junho de 1934.

O livro “Trovas e Cantares Capixabas” teve a sua primeira edição publicada em 1923. A obra possui Trovas, ditados populares, contos, provérbios, etc. Em 1980 foi publicada uma segunda edição da obra, pelo Instituto Nacional do Folclore.

De 1923 a 1956 a Trova Literária, feita por poetas conhecidos, passa a ser bastante divulgada pela Revista “Vida Capichaba”, que publicava trabalhos de autores Espírito-Santenses, entre eles, Teixeira Leite:

Em meus amores diviso

um de mais sinceridade:

O que nasceu de um sorriso

e vive de uma saudade.

Manuel Teixeira Leite, nascido em Prado, Bahia a 6 de fevereiro de 1891. Poeta, jornalista e contista. Membro da Academia Espírito-Santense de Letras. Publicou entre outros livros: Fidelis, em 1927; Vitória, 1928 e Serenatas, 1930.

Ciro Vieira da Cunha, que nasceu em Sorocaba, São Paulo, a 1º de Junho de 1897, tendo falecido no Rio de Janeiro a 28 de Junho de 1976. Poeta, Biógrafo, Jornalista e Médico. Membro da Academia Espirito-Santense de Letras. Publicou entre outros livros: Espera Inútil, 1933; Sinfonia das Ruas de Vitória, 1943 (com Eugênio Sette); Memórias de um Médico da Roça, 1965.

Ciro também publicava suas Trovas na Revista “Vida Capixaba”:

No destino das palmeiras

mora um exemplo também

viver silenciosamente

sem fazer sombra a ninguém.

Antigamente Capixaba era escrito com “ch”. Após 1940, devido as reformas ortográficas ocorridas no Brasil, as palavras que eram escritas com “ch” ou “ph” foram modificadas. O “ch” foi substituído pelo “x” e o “ph”, pelo “f”. A Revista tinha a direção de M. Lopes Pimenta, tendo José Luís Holzmeister como Redator Chefe e F. Eugênio de Assis como Redator. A Gerência era de José Tovar Pimenta. A redação era na Av. Capixaba, 132, em Vitória. “Vida Capichaba” foi fundada em 1923.

O movimento poético então florescia e, em 1938, a Revista “Vida Capichaba” movimentou o meio literário com um Concurso de Trovas, saindo vencedor o poeta Nilo Aparecida Pinto, cultor entusiástico da Trova, com o seguinte trabalho:

O ocaso traz tantas mágoas,

que o mar, buscando esquecê-las,

espana o espelho das águas

para o baile das estrelas.

Nilo Aparecida Pinto não era Capixaba mas viveu parte da infância e juventude no Espírito Santo, tendo residido em Colatina e Vitória.

Nilo Aparecida Pinto nasceu em Caratinga, MG, a 23 de Junho de 1915, tendo falecido no Rio de Janeiro a 15 de Janeiro de 1974. Poeta, Trovador, Jornalista. Membro da Academia Mineira de Letras. Publicou entre outros livros: Meu Coração em Cantigas, 1940 ( Trovas ); Poesias Escolhidas, 1944 ; Rosa de Saron, 1952 e Sonetos, 1968.

Em 1940, Nilo Aparecida Pinto, transferiu-se para Belo Horizonte e ali publicou trovas que escrevera e divulgara em Vitória, como estas:

O bambu como muita gente

se parece, no feitio:

Por fora - é belo e imponente,

por dentro - é oco e vazio...

Sendo o violão de madeira

há de entender nossa dor,

que também foi de madeira

a cruz de Nosso Senhor.

Das dores que o tempo aguça

a mais triste eu desconfio

ser o da mãe que soluça

junto de um berço vazio.

Observando-se a história do Movimento em torno da Trova no Espírito Santo, verifica-se que cronologicamente ocorreram os seguintes eventos:

Em 20 de Janeiro de 1889 - O Jornal A Província do Espírito Santo, publica Trova Populares.

Nas edições seguintes são publicadas mais Trovas.

Em 1921, Afonso Cláudio influenciado pelos negros escravos da Fazenda do seu pai em Mangarai, Santa Leopoldina, publica “Trovas e Cantares Capixabas”, onde são reunidas 21 Trovas Populares.

De 1923 a 1956 são publicada Trovas de autores capixabas e brasileiros, em várias edições da Revista Capichaba.

A Revista passa a ser o principal órgão divulgador dos Poetas, divulgando seus trabalhos junto com notícias políticas e sociais da época. A edição de nº 671, de Janeiro de 1948, apresenta uma página inteira com o título: “Meus Irmãos os Trovadores. Antologia em organização de Luís Otávio - Lilinha Fernandes.” É divulgada a biografia de Lilinha Fernandes, com a informação de que seu nome verdadeiro é Maria das Dores Fernandes Ribeiro e que tem inédito o livro “Flores do Agreste.” Seguem-se várias Trovas. A primeira é:

Chorei na infância insofrida

para ir na roda cantar:

hoje, na roda da vida

eu canto p’ra não chorar.

Na Revista de Março de 1948, de nº 673, são divulgadas oito Trovas com os títulos: “Cantigas D’Amor” e “Cantigas D’Amigo”, de Renato J. Costa Pacheco, da Academia Capixaba dos Novos. Eis uma Trova:

Senhor meu! Não vás agora...

Beija de novo a donzela

que por ti chorou e chora

e que muito se desvela.

Renato José da Costa Pacheco, nascido em Vitória a 16 de Dezembro de 1928, membro fundador da Academia Espirito-Santense de Letras. Autor de vários livros. Em 1980 quando da fundação do Clube dos Trovadores Capixabas, CTC, era Presidente da Fundação Cultural do Espírito Santo, tendo dado todo o apoio possível e necessário ao CTC, realizando inclusive o Primeiro Concurso de Trovas com os temas: Vitória, Capixaba e Anchieta.

Em 1937, o mineiro de nascimento, “mas capixaba de coração”, José Coelho de Almeida Cousin, nascido em 1897, publica “Naufrágios”, publica versos de sua autoria feitos no período de 1920 a 1930. No livro constam seis Trovas sob o título de “Canção.”

Em 1949, Guilherme Santos Neves publica o livro “Cancioneiro Capixaba de Trovas Populares”, onde reúne mil Trovas: “Colhidas em várias fontes aqui e ali, em Terras Capixabas, visando principalmente evitar que elas extraviem e se percam como tantas bonitas tradições do nosso povo.”

Eis três Trovas coletadas por Guilherme Santos Neves mostrando o gosto dos Capixabas em manifestar suas emoções e anseios através da Trova:

No caminho de Vitória

tem subida e tem descida,

também tem um moreninho,

perdição de minha vida.

No morro de Vila Velha

trovejou mas não choveu.

De Vila Velha prá lá

o Manda-Chuva sou eu.

Quem me dera estar agora

onde está meu pensamento:

Na cidade de Vitória,

na ladeira do Convento.

Minha mãe não quer que coma

muquequinha de siri.

O meu pai não quer que eu case

com rapaz de Itaquari.

Ainda do Cancioneiro capixaba de trovas populares, por Guilherme Santos Neves, constam estas quadrinhas:

A folha da bananeira

Bota verde, cai madura

Assegura sua palavra

Que a minha está segura

A folha da bananeira

De comprida foi ao chão

Mais comprida foi a fita

Que laçou meu coração

Bananeira é mulher rica

Pelos filhos que ela tem

Corta o cacho, morre a mãe

Fica os filhos sem ninguém

E vem a lua saindo

Por detrás da bananeira

Já me dói o céu da boca

De beijar moça solteira

A folha da bananeira

De comprida amarelou

A boca do meu benzinho

De tão doce açucarou

A folha da bananeira

De tão grande foi ao chão

Quem tiver língua comprida

Faça dela um currião

Eu nunca vi bananeira

Soltar cacho na raiz

Nunca vi rapaz solteiro

Ter palavra no que diz

Lá vem o sol entrando

Por cima da bananeira

Dá lembrança à minha gente

Minha mãe seja a primeira.

O saudoso Professor Guilherme Santos Neves recolhia algumas trovas populares. Eis algumas sobre o Convento de Nossa Senhora da Penha, em Vila Velha, ES:

Fui no convento da Penha,

Visitar a Mãe querida.

Agora eu posso dizer

Que já fui ao Céu em vida!

Fui no convento da Penha,

Todos subiram, eu fiquei...

Dai-me a mão, Nossa Senhora,

Que eu também subirei...

Nossa Senhora da Penha

Tem o seu manto de alegria.

Deus lhe deu os seus soldados

Pra defender a baía.

Sobre esta última trova, salienta Guilherme Santos Neves que sua fonte de inspiração deve estar ligada "à conhecida lenda do ataque holandês a Vila Velha, repelido por misterioso exército - os soldados da Virgem - o qual, dentre as nuvens, surgiu, desbaratando os invasores".

Em 1951, Paulo Freitas publica “Poesia da Saudade”. O livro é feito na Gráfica Mimosense Ltda., da cidade do sul do Espírito Santo, Mimoso do Sul. Possui 42 páginas com 123 Trovas. Eis, respectivamente a primeira e a última delas:

Saudade - renda de espumas,

adeus dos barcos veleiros...

No Rosário das Estrelas,

a prece dos Jangadeiros...

Saudade - canção das ondas

nos lábios da noite fria,

quando as estrelas refletem

lindos olhos de Maria...

Em 1953, Paulo Freitas publica 256 Trovas de sua autoria, na obra “Rosário de Estrelas.” Em 1965 mais Trovas são divulgadas no livro “A Monja de Lisieux.”

Paulo Atayde de Freitas nasceu em Rio Novo do Sul, ES, a 28 de Janeiro de 1902. Foi Juiz de Direito e membro da Academia Espirito-Santense de Letras e do Grêmio Brasileiro de Trovadores. Sua primeira obra publicada foi Volúpia das Rosas, em 1928. Em 1966, publicou o seu 14º livro, Breviário do Trovador. Participou de várias antologias de Poesias e Trovas. Em 1980, alguns anos antes de falecer, associou-se ao Clube dos Trovadores Capixabas, CTC.

Em 1957, Solimar de Oliveira publica “Sangrando Mágoas...”, pequeno livrinho editado na Gráfica Tupy Ltda, do Rio de Janeiro, com 101 Trovas em 40 páginas. Duas Trovas:

Curvo-me ao fado perverso,

como te confesso assim:

- Sempre a buscar-te em meu verso,

sempre a fugires de mim!

E aqui deixo a última nota

destas Trovas, coração:

- Eu, no amor, só vi derrota,

engano, nada, ilusão...

Solimar Braga de Oliveira nasceu em Juiz de Fora, MG a 5 de agosto de 1913. Poeta, Trovador, Contista. Membro da Academia Cachoeirense de Letras e várias outras entidades no Brasil. Publicou vários livros sendo o primeiro, Ilha da Luz, em 1947. Em 1980 associou-se também ao Clube dos Trovadores Capixabas. Já falecido.

Também em 1957, o Jornalista Mesquita Neto publica pela Tipografia “Taneco”, da Vila Rubim, em Vitória: “Rua do Coração”. Na página 25 constam algumas Trovas. Eis duas delas:

Pediste-me de tal jeito

uns versos, uma poesia,

que vou dizer satisfeito

tudo aquilo que queria.

O teu cabelo tão louro

e essa pele cor de rosa

constituem rimas de ouro

de uma poesia formosa.

Mesquita Neto é pseudônimo de Otávio José de Mendonça que nasceu em Penedo, Alagoas, a 12 de Maio de 1901 tendo falecido no Rio de Janeiro a 13 de Março de 1975. Poeta, Cronista, Contista e Jornalista. Trabalhou durante muitos anos em São Mateus e depois Vitória - ES. Publicou vários livros, entre os quais “A Verdade Nua e Crua”, em 1968.

Em 1958, o Trovador Nordestino Filho, pseudônimo de Raymundo Estevão Pereira publica “Relicário - Quadras e Trovas”. Em 1962 publica “Tudo Azul” e em 1967, “Predestinação - Trovas e Prosa”:

Mesmo ovelha transviada,

que vive longe do aprisco,

conservo na alma, guardada,

tua imagem, São Francisco.

Outras Trovas de Nordestino Filho:

Ninguém, por certo, ninguém

estimar pode, sequer,

os abismos que contém

um coração de mulher!

Muitas vezes num soneto

não encontro idéias minhas,

mas o faço numa trova,

em apenas quatro linhas.

Sempre que afago, meu bem,

as tuas mãos delicadas,

as minhas ficam também

suavemente perfumadas...

A minha grande tristeza

nem eu sei de onde é que vem,

mas creio que, com certeza,

vem de ti - de teu desdém.

A gatinha irreprimível,

que molha um rosto qualquer,

torna-se uma arma terrível,

quando o rosto é de mulher.

Nordestino Filho, pseudônimo de Raimundo Estevão Pereira, nasceu em Viçosa, no Estado do Ceará, a 24/05/1900, filho de José Estevão Pereira e de Joaquina Maria Pereira. Transferiu sua residência para o Espírito Santo desde 1925, sendo, em Cachoeiro do Itapemirim, um dos fundadores da Academia Cachoeirense de Letras, onde ocupou a cadeira n. 10, cujo patrono é Sylvio Rangel. Autor de inúmeras plaquetas, inserindo sonetos e trovas, gêneros de sua preferência. Faleceu em Guarapari, 19/03/1982, após ter se filiado em 1980 ao Clube dos Trovadores Capixabas, CTC.

Em 1962, Alberto Isaías Ramires publica “Cantigas de um Trovador”, seguindo-se várias obras entre as quais, “Cantigas do Coração”, em 1964 e, a antologia, “Vitória, Sonho, Amor e Poesia”, em 1969.

Trovas de A. Isaías Ramires:

Vitória - Ilha do mel

que nos deslumbra e extasia.

Um pedacinho de céu

que é sonho, amor e poesia...

Saudade - um berço vazio,

uma lágrima, uma dor;

coração sentindo frio

longe da chama do amor...

A trova boa e perfeita

tem, na sua formação,

um pouco de pensamento,

um pouco de coração.

Passam dias, meses, anos...

Quem na vida, nada alcança

deve sempre aos desenganos

antepor uma esperança.

Sobre o amor já se tem dito

muita coisa de valor;

mas bem poucos, acredito

sabem mesmo o que é o amor.

Semeia por onde fores,

bondade, amor e carinho;

e transformarás em flores

as pedras do teu caminho.

Alberto Isaías Ramires, filho de João Ramires e de Francelina Evangelista Ramires, nasceu em Vila Velha, Espírito Santo, em 8 de setembro de 1924. Já falecido. Foi Sócio do Clube dos Trovadores Capixabas, CTC.

O Professor Kosciuscko Barbosa Leão, em 1973, publica “Travos em Trovas”, reunindo Trovas de sua autoria. Eis uma das Trovas:

Não sei qual mais enalteça

dos dois extremos: se o pé

ou, ainda, se a cabeça.

Essa é Ruy, o outro é Pelé.

Kosciuscko Nasceu em Santa Cruz, distrito do município de Aracruz, no Estado do Espírito Santo, a 12/09/1889. Filho de Miguel Barbosa Leão e Ana Barbosa Leão. Poeta, trovador, teatrólogo, jornalista, advogado. Faleceu em Vitória, ES, a 20 de Maio de 1979. Membro da Academia Espírito-Santense de Letras.

No Rio de Janeiro, em 1976, pela Gráfica e Editora Olímpica, Elmo Elton, publica 100 Trovas no seu livro, “Cantigas.”

São lidos, por cortesia,

teus versos de cunho novo,

mas as minhas cantiguinhas

andam na boca do povo.

Elmo Elton Santos Zamprogno, poeta, trovador

(Texto do Livro ORIGEM CAPIXABA DA TROVA, de Clério José Borges, publicado em Outubro de 2007). SERRA - ES - Brasil


Clério José Borges
Enviado por Clério José Borges em 22/02/2026
Alterado em 22/02/2026
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