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RESPONSABILIDADE HISTÓRICA: O Escritor Capixaba Clério José Borges de Sant Anna publicou dois livros sobre a mulher heroína do Queimado de nome africano, AISHA KETO KOROWE DETOKUMBO, rebatizada pelo sistema colonial como Benedita Torreão (também lembrada como Sebastiana do Queimado). Para esclarecer as representações e imagens da referida personagem, Clério José Borges produziu o texto abaixo para que os fatos sejam devidamente esclarecidos.
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As fotos da Imagem da Princesa Aisha usadas por Clério José Borges em seus livros são meramente ilustrativa, um recurso de representação analógica.
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O ROSTO QUE A HISTÓRIA OMITIU, A MEMÓRIA RESGATA.
TEXTO E PESQUISA DE CLÉRIO JOSÉ BORGES
ESCRITOR, POETA TROVADOR CAPIXABA
(Permitido cópias e citações desde que seja citada a fonte).
Imagem meramente ilustrativa / Recurso de representação analógica.
Como não existem registros fotográficos reais de Aisha na infância ou juventude, o uso de imagens semelhantes serve como um "recurso de aproximação visual" para humanizar a narrativa.

A imagem utilizada nesta publicação é uma representação conceitual retirada da internet, selecionada por sua semelhança histórica com a trajetória real de Aisha, uma princesa africana capturada ainda criança. Devido à ausência de registros visuais diretos da época, a ilustração serve para dar rosto e dignidade a quem a história oficial tentou apagar. Aisha foi trazida à força para o Brasil em um navio negreiro e, na região onde hoje fica o município da Serra, Espírito Santo, foi rebatizada pelo sistema colonial como Benedita Torreão (também lembrada como Sebastiana do Queimado). Ela se tornou uma das grandes heroínas e símbolos de liderança feminina na histórica Insurreição de Queimado de 1849.
Na época do tráfico negreiro transatlântico, as pessoas escravizadas eram destituídas de suas identidades, bens e registros visuais. Por isso, não possuímos retratos reais da infância de Aisha. Esta imagem da internet foi escolhida de forma analógica, pois evoca o olhar e a realidade de uma menina negra arrancada de sua terra natal na África por milicianos e traficantes. Ao chegar ao território que hoje compreende o município da Serra (ES), sua realeza foi camuflada sob os nomes de Benedita Torreão e Sebastiana. Usar esta imagem é uma estratégia de reparação histórica e pedagógica: damos um rosto simbólico à menina que cruzou o oceano para se tornar uma das maiores líderes revolucionárias do Sítio Histórico de São José do Queimado.
Esta imagem não é uma fotografia literal, mas um espelho da alma de Aisha, a princesa nagô capturada na África e trazida no porão de um navio negreiro ainda menina. No solo da Serra, no Espírito Santo, tentaram apagar seu passado real chamando-a de Benedita Torreão e Sebastiana do Queimado. Mas o sangue real não se apaga: ela se fez guerreira, parte essencial da revolta por liberdade em Queimado. Como o tempo não nos deixou fotos de sua infância, recorremos a esta representação visual da internet para que o público não veja apenas letras em um papel, mas sinta a humanidade, a dor e a fúria de uma realeza que nunca se curvou.
A história de Aisha foi resgatada e documentada na literatura capixaba por autores como Clério José Borges no livro A Mulher Heroína do Queimado.
A mulher heroína do queimado: - AISHA KETO KOROWE DETOKUMBO e de nome aportuguesado Benedita Torreão, a Bastiana do Queimado, princesa que veio do além-mar, benzedeira e médica do povo.
A Revolta dos negros escravizados no Queimado, ocorrida em 19 de março de 1849.


