Trovas, Neotrovismo, Literatura, Livros, Movimento Trovadoresco, Trovismo, Trovadorismo, Trova, Poesia, Cultura Popular
Escritor e Historiador Clério José Borges
Comendador, Poeta Trovador Capixaba. Figura proeminente na cena cultural do Espírito Santo.
Textos

MANEMOAÇÚ

O Guerreiro que voltou do abismo acima das Estrelas

Filho de Maracajaguaçu e irmão do Indígena Araribóia. Nasceu na Ilha de Paranapuã, atual Ilha do Governador, na baía de Guanabara, Faleccido na Aldeia de Conceição da Serra no Espírito Santo 

Conto de autoria de Clério José Borges. (Baseado em fatos reais)

 

"Existem horrores que não nasceram na Terra. Há mistérios cuja contemplação é uma sentença, pois certos céus ocultam abismos que a alma humana não foi criada para conhecer." – Citação do escritor Americano, H.P. Lovecraft, mestre do horror cósmico em romance de 1927.

Em maio de 2026, as regras sobre Fenômenos Anômalos Não Identificados (UAP/OVNIs) mudaram definitivamente. O governo dos Estados Unidos, através do recém-renomeado Departamento de Guerra e do programa Pursue, abriu sua gaveta mais protegida para liberar 158 arquivos militares brutos. O que antes pertencia ao misticismo da internet tornou-se oficialmente um problema de engenharia militar e fronteira física. Donald Trump liberou total. Então vamos abordar agora o tema Capixaba, Manemoaçu…

 

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Parte 1 - O Guerreiro que voltou do céu das trevas

 

Durante muitos anos resisti à ideia de escrever estas páginas da abdução ocorrida na Serra em 1539, conforme registro em Carta do Jesuíta, Antônio de Sá.

Não por falta de provas, mas justamente pelo excesso de dúvidas que elas despertam. Há acontecimentos que o homem deveria deixar repousar no silêncio dos séculos, pois algumas verdades, quando reveladas, não trazem iluminação; trazem apenas a inquietante certeza de que o universo é infinitamente mais vasto e mais sombrio do que imaginamos.

Entre os antigos relatos preservados pelos habitantes das terras próximas à Serra do Mestre Álvaro, no Espírito Santo, encontrei uma narrativa que durante muito tempo considerei apenas uma reminiscência indígena, uma dessas histórias que atravessam gerações deformadas pela passagem do tempo e pelo temor dos homens diante do desconhecido.

Hoje, porém, já não tenho essa tranquilidade.

Há noites em que desperto sobressaltado e, ao observar o céu silencioso acima de minha janela, recordo-me das palavras do velho manuscrito que encontrei entre documentos esquecidos: "Nem tudo que desce das estrelas traz consigo a luz."

Foi assim que conheci a história de Manemoaçú.

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O século XVI mal havia começado a revelar os mistérios da recém-colonizada Capitania do Espírito Santo. Entre a mata fechada, os rios cristalinos e a imponente Serra do Mestre Álvaro, próximo a ilha de Santo Antônio hoje conhecida por Vitória, erguia-se a Aldeia da Conceição da Serra, onde viviam os Temiminós, povo guerreiro do tronco Tupi.

Ali habitava Manemoaçú, filho do grande cacique Maragajaguaçu — o "Gato Bravo Grande". Nascido na Ilha de Paranapuã, na Baía de Guanabara, Manemoaçú chegara ao Espírito Santo quando sua nação buscou refúgio sob a proteção do donatário Vasco Fernandes Coutinho. Em 1559, os jesuítas o batizaram com o nome cristão de Sebastião de Lemos, mas, para seu povo, continuava sendo Manemoaçú, nome que inspirava respeito.

Jamais soube dizer se o que vi foi obra de Deus ou castigo reservado aos homens que ousam atravessar os limites do desconhecido. Escrevo estas linhas porque o tempo apaga a memória dos vivos, mas não consegue apagar o terror dos mortos. Muitos rirão da história do guerreiro Manemoaçú; outros a chamarão de superstição dos indígenas. Contudo, eu afirmo que a própria floresta guardou para sempre o eco de seus gritos.

Era o ano de 1559.

Na Aldeia da Conceição da Serra, entre as sombras eternas da Serra do Mestre Álvaro, vivia Manemoaçú, filho do cacique Maragajaguaçu. Os padres da Companhia de Jesus haviam-lhe dado, no batismo, o nome de Sebastião de Lemos. Entretanto, nenhum cristão conseguia apagar o espírito do guerreiro Temiminó.

Era alto, vigoroso, de olhar firme e silencioso. Seu arco jamais falhava. A flecha parecia obedecer-lhe antes mesmo de deixar a corda. Diziam os velhos que Tupã lhe concedera olhos capazes de enxergar o voo das aves antes que estas levantassem das árvores.

Depois do célebre guerreiro Arariboia, não havia arqueiro mais habilidoso. Nenhuma flecha errava o alvo. Nenhuma caça lhe escapava. Forte, destemido e silencioso, caminhava pela mata como se fosse parte dela. Quando regressava das caçadas, trazia veados, pacas, antas e aves suficientes para alimentar toda a aldeia. Seu pai sorria orgulhoso ao ver a fartura conquistada pelo filho.

Por isso ninguém compreendeu o que aconteceu naquela tarde.

A vida seguia seu curso natural. Até que o céu resolveu abrir as portas do desconhecido. O Sol ainda brilhava quando a luz começou a adoecer. Não foi um eclipse. Foi como se o próprio céu apodrecesse. As cores desapareceram. O verde tornou-se cinzento. Os pássaros despencaram das árvores sem emitir um único canto. Nem mesmo os insetos ousaram romper o silêncio. A floresta parecia prender a respiração. Até o vento pareceu morrer. Manemoaçú interrompeu a caminhada. Acabara de abater uma grande anta e iniciava o caminho de volta quando ouviu um estrondo tão violento que fez a própria floresta estremecer.

A terra tremeu. As árvores vergavam como se estivessem sendo esmagadas por mãos invisíveis. Então veio um som impossível de ser descrito. Não era trovão. Não era o rugido de uma onça. Era um uivo metálico, profundo, vindo do próprio céu. O guerreiro ergueu os olhos. Acima das copas das árvores girava uma enorme esfera de fogo negro envolta por clarões azulados. Subitamente uma luz branca caiu sobre ele. Seu corpo perdeu toda a força. Tentou puxar o arco. Os braços não obedeceram. Tentou gritar. Nenhum som saiu. Seu coração, acostumado ao perigo das onças e das guerras, conheceu então um medo absolutamente novo. Era um medo sem nome. Sem rosto. Sem origem. Então ouviu-se o primeiro som. Não vinha da terra. Nem das nuvens. Parecia nascer dentro da própria alma. Era um lamento profundo, semelhante ao de milhares de vozes agonizantes pronunciando palavras impossíveis.

Os joelhos do guerreiro fraquejaram. O céu abriu-se. Não como uma tempestade. Abriu-se como uma ferida. Dela surgiu uma esfera gigantesca envolvida por uma luminosidade azulada que não iluminava; antes, devorava toda claridade ao redor.

Foi então que as criaturas apareceram. Da luz começaram a surgir figuras altas, magras, de pele acinzentada e olhos negros sem pupilas. Suas cabeças eram desproporcionais. Seus dedos longos terminavam em garras. Moviam-se sem caminhar. Deslizavam sobre o ar. Seus rostos não demonstravam qualquer emoção. Não caminhavam. Deslizavam. Seus corpos eram magros, excessivamente altos, cobertos por uma pele pálida semelhante à carne dos mortos.

Os olhos... Ah, aqueles olhos... Não possuíam pupilas. Eram dois abismos negros. Quem os contemplasse tinha a impressão de cair para dentro deles eternamente. Mas havia algo ainda mais terrível. Atrás daqueles seres moviam-se sombras vivas. Figuras informes. Corpos compostos apenas de fumaça e trevas. Braços demasiadamente longos. Rostos que mudavam de forma a cada instante. Ora lembravam homens. Ora serpentes. Ora cadáveres. Ora nada que pudesse receber um nome humano. Os indígenas, mais tarde, chamariam aquelas aparições de demônios. Talvez estivessem certos. Ou talvez os demônios sejam apenas outro nome para visitantes de um universo infinitamente mais cruel que o nosso. Mesmo assim, algo muito pior envolvia aquelas criaturas. Ao redor delas havia sombras vivas. Formas monstruosas. Como demônios feitos de fumaça. Olhos vermelhos brilhavam na escuridão. Bocas enormes sorriam mostrando dentes impossíveis. As criaturas pareciam comandar aquelas entidades infernais. Ou talvez fossem apenas outra forma delas.

Seu arco caiu. Seu corpo ergueu-se do chão sem que seus pés se movessem. Não houve luta. Nenhum homem combate aquilo que desafia todas as leis da criação. A floresta inteira ouviu o grito de um jovem angustiado.

Na aldeia, homens, mulheres e crianças ouviram os gritos desesperados de Manemoaçú. O som atravessou toda a mata. Depois... Silêncio. Quando os guerreiros chegaram ao local encontraram apenas o arco partido, algumas flechas espalhadas e profundas marcas queimadas sobre a terra. Nenhum rastro. Nenhuma pegada. Era como se o caçador tivesse sido arrancado do mundo.

Os mais velhos disseram, aterrorizados: — Os demônios do céu levaram Manemoaçú.

Uma luz envolveu Manemoaçú. Depois...Somente o silêncio. Um silêncio tão absoluto que parecia anunciar o fim do próprio mundo. Quando despertou, já não existia floresta. Nem céu. Nem Terra. Encontrava-se numa vasta câmara circular onde as paredes pareciam vivas. Respiravam. Pulsavam. Como se todo aquele lugar fosse o interior de uma criatura colossal. As entidades aproximaram-se lentamente. Não falavam. As palavras surgiam diretamente dentro de sua mente. Cada pensamento era uma dor. Cada pergunta era uma punhalada invisível.

Muito acima das nuvens... Dentro da gigantesca nave desconhecida... O guerreiro despertou. As paredes brilhavam como prata líquida. Não existiam portas. Nem janelas. Apenas uma luz fria que parecia respirar. Ele tentou levantar. Correntes invisíveis prenderam seus braços. As criaturas aproximaram-se. Não falavam. As vozes surgiam diretamente dentro de sua mente.

"Origem da força."

"Origem da precisão."

"Origem da resistência."

Então começaram os experimentos. Agulhas transparentes atravessaram sua pele. Lâminas de luz abriram pequenos cortes sem derramar sangue. Seus músculos eram medidos. Seus ossos observados. Seu coração parecia ser retirado do peito sem que morresse.

Luzes atravessavam sua carne. Instrumentos impossíveis penetravam seus ossos. Seu sangue era observado como se fosse um mistério do universo. Cada músculo era examinado. Cada nervo, cada tendão. A dor não possuía comparação com qualquer sofrimento humano. Mas havia algo infinitamente pior. As sombras aproximavam-se sempre que ele gritava. Alimentavam-se de sua angústia. Cresciam. Sorriam. Sussurravam palavras numa língua tão antiga que talvez existisse antes da própria Criação.

Durante três dias e três noites, que pareciam uma eternidade, Manemoaçú suportou torturas que nenhum homem poderia imaginar. Mesmo assim não revelou segredo algum. Porque não havia segredo. Sua força vinha apenas da disciplina. Da caça. Da floresta. Da coragem. As criaturas não compreendiam. Continuavam experimentando. Continuavam ferindo. Continuavam tentando descobrir aquilo que jamais existira. Na aldeia, o desespero aumentava. Maragajaguaçu organizava grupos de busca. Os guerreiros percorriam rios, montanhas e cavernas. Os jesuítas Brás Lourenço e o irmão Antônio de Sá rezavam diariamente. Ninguém encontrava sequer um vestígio. Alguns acreditavam que Tupã o recolhera. Outros diziam que Anhangá o havia levado para sempre. Mas, nas noites sem lua, estranhas luzes cruzavam silenciosamente o céu da Serra do Mestre Álvaro. E os cães uivavam para o vazio.

Durante três dias, ou talvez três eternidades — pois ali o tempo havia perdido todo significado —, Manemoaçú foi reduzido a um prisioneiro entre seres cuja inteligência ultrapassava qualquer compreensão humana e cuja ausência absoluta de compaixão fazia parecer misericordiosos os mais cruéis carrascos da Terra. Eles não queriam matá-lo. Queriam compreender. E a curiosidade deles era mais terrível que qualquer ódio. Na aldeia, as buscas tornaram-se inúteis. Maragajaguaçu envelheceu em apenas três dias.

Os jesuítas Brás Lourenço e o irmão Antônio de Sá rezavam sem descanso. Mesmo suas orações pareciam perder-se num céu que permanecia estranhamente silencioso.

Na terceira madrugada o céu voltou a estremecer. Uma luz gigantesca abriu-se sobre a floresta. O disco luminoso surgiu entre as nuvens. Num clarão ofuscante, um corpo foi lançado ao chão. A nave desapareceu na mesma velocidade com que surgira. Os guerreiros correram. Era Manemoaçú. Mas já não era o mesmo homem. Seu corpo estava coberto por marcas desconhecidas. Os olhos refletiam um terror impossível de explicar. Mal conseguia respirar. As mãos tremiam sem controle. Entre delírios, apontava para o céu. Repetia sempre as mesmas palavras:

— Eles voltam. Eles vivem acima das estrelas. Não são homens. Não são espíritos. São demônios vindos de outros mundos...

Ninguém compreendia. Os jesuítas levaram-no para junto da pequena missão. Braz Lourenço segurou-lhe as mãos. O irmão Antônio de Sá aproximou-se com os santos óleos. Enquanto recebia a extrema-unção, Manemoaçú ainda olhava fixamente para o teto de palha. Como se enxergasse algo invisível. Seu último suspiro veio acompanhado de um grito de puro horror:

— Eles estão olhando...

Seu corpo tombou. Naquele mesmo instante, um clarão azul iluminou a janela da missão. Os presentes correram para fora. Nada havia. Somente o silêncio. E, muito acima das nuvens, uma pequena luz afastava-se lentamente em direção às estrelas. Durante muitos anos, os indígenas contaram que Manemoaçú fora sequestrado pelos demônios do céu. Os jesuítas registraram apenas que um guerreiro morreu após desaparecer misteriosamente durante três dias.

Entretanto, entre as montanhas da Serra do Mestre Álvaro, ainda há quem afirme que, em noites de tempestade, um estranho disco luminoso cruza o firmamento. E dizem que, quando isso acontece, é possível ouvir, misturado ao vento, o último grito do grande arqueiro Temiminó. Como se sua alma ainda estivesse sendo perseguida pelos seres que vieram das profundezas do universo.

Desde então, alguns juram que, nas noites em que o céu perde suas estrelas e a floresta mergulha num silêncio impossível, uma esfera luminosa continua pairando sobre as montanhas. Os mais velhos fecham portas e janelas. Os cães escondem-se. As crianças deixam de chorar. E ninguém ousa pronunciar o nome de Manemoaçú. Porque há histórias que pertencem aos mortos. E há mortos que jamais deixaram de olhar para o céu.

 

Fim.

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Nota do Autor: O nome Manemoaçú, de origem tupi antiga, é interpretado por estudiosos como uma composição relacionada à ideia de sofrimento, esmorecimento ou grande padecimento. Independentemente da interpretação linguística, a força simbólica do nome permanece: a memória de um guerreiro que suportou uma provação inimaginável e retornou trazendo consigo o peso de um segredo que jamais deveria ter conhecido. MANEMOAÇÚ é uma palavra composta que pode ser dividida em três partes principais no tupi antigo: Manem- / Panema: No tupi, o termo panema (ou sua variação manem) refere-se originalmente àquilo que é "azarado", "infeliz" (daí o termo conhecido "amarelado" ou "esmorecido"). -Mo-: É um prefixo causativo muito comum na gramática tupi, utilizado para transformar um substantivo ou adjetivo em um verbo de ação (significando "fazer ficar", "tornar" ou "causar"). -Açú (-guassu / -usu): É o célebre sufixo tupi para "grande" ou "intenso".

Manemoaçú seria então, "O Grande Paciente" ou "Aquele que muito adoece/esmorece"

OBS.: MANEMOAÇÚ é uma palavra composta que pode ser dividida em três partes principais no tupi antigo: Manem- / Panema: No tupi, o termo panema (ou sua variação manem) refere-se originalmente àquilo que é "azarado", "infeliz" (daí o termo conhecido "amarelado" ou "esmorecido"). -Mo-: É um prefixo causativo muito comum na gramática tupi, utilizado para transformar um substantivo ou adjetivo em um verbo de ação (significando "fazer ficar", "tornar" ou "causar"). -Açú (-guassu / -usu): É o célebre sufixo tupi para "grande" ou "intenso".

Manemoaçú seria então, "O Grande Paciente" ou "Aquele que muito adoece/esmorece" - Ao unir o conceito de esmorecimento ou azar (panema/manem), o causativo (mo) e o superlativo (açú), o nome traduz perfeitamente a condição de "Aquele que é feito esmorecer grandemente" ou "O Grande Paciente/Enfermo". É um belíssimo exemplo de como a língua tupi era descritiva e ligada à realidade imediata ou ao destino do indivíduo.

 

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Introdução (ou Apresentação) e personagem:

Estamos no século XVI. Na Aldeia da Conceição da Serra, na província portuguesa do Espírito Santo em Terras brasileiras. Manemoaçú é um indígena da Tribo Temiminós, do Grupo Tupi. Filho de Cacique e Chefe da Nação dos Índios Temiminós. Ao ser preparado pelos Jesuítas em 1559, recebeu no Batismo o nome Cristão de Sebastião de Lemos. Nasceu na Ilha de Paranapuã na baía de Guanabara no Rio de Janeiro. Quando seu pai e seus parentes pediram asilo ao Donatário da Capitania do Espírito Santo, Vasco Coutinho mudou-se para a região da Serra do Mestre Álvaro. Forte Guerreiro, depois do irmão Indígena Arariboia, não existia quem fosse mais eficiente no manuseio do arco e flecha.

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Clério José Borges
Enviado por Clério José Borges em 17/07/2026
Alterado em 21/07/2026
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