Trovas, Neotrovismo, Literatura, Livros, Movimento Trovadoresco, Trovismo, Trovadorismo, Trova, Poesia, Cultura Popular
Escritor e Historiador Clério José Borges
Comendador, Poeta Trovador Capixaba. Figura proeminente na cena cultural do Espírito Santo.
Textos

 ACADEMIA LINHARENSE DE LETRAS – ALLETRAS

Sede Registrada: Rua João Francisco Calmon, 1326, Centro, Linhares – ES, CEP 29900-138. Fundada oficialmente com a posse de sua primeira diretoria em 23 de abril de 2024 na Câmara Municipal, a instituição celebrou a imortalidade de seus primeiros acadêmicos em uma sessão solene histórica no dia 10 de outubro de 2024, realizada no Centro Cultural Nice Avanza.

Solenidade de Posse dia 09/10/2026. Ato de Certificação, Diplomação e Posse de todos os Associados Acadêmicos, neoacadêmicas e membros Correspondentes. Data: 9 de outubro de 2026. Horário: 18 horas. Local: Plenário da Câmara Municipal de Linhares – ES. Mestre do Cerimonial: Professor Pereira. Comissão organizadora: Conselhos e outros voluntários.

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## DISCURSO DE POSSE DO ACADÊMICO CORRESPONDENTE CADEIRA NÚMERO 2, CLÉRIO JOSÉ BORGES DE SANT ANNA, QUE TEM COMO PATRONO, O ESCRITOR DR. ENO TEODORO WANKE.

Excelentíssimo Senhor Presidente, Escritor Fernando Cavalcante Rocha. Digníssimas autoridades, Eminentes Acadêmicos e Acadêmicas, Ilustres confrades e confreiras.  Senhoras e senhores, Povo querido, altivo e acolhedor de Linhares.

Minhas primeiras palavras são de respeito, gratidão e reverência à Academia Linharense de Letras — ALLETRAS, fundada em 23 de abril de 2024, instituição destinada a guardar, como precioso tesouro, a memória, a literatura, a história e a cultura desta valorosa cidade.

Hoje, diante desta ilustre assembleia, venho receber, com humildade e emoção, a honra de tomar posse como Acadêmico Correspondente da Cadeira nº 2, cujo Patrono é uma personalidade de reconhecida importância na história da Trova no Brasil, Dr. Eno Teodoro Wanke, paranaense de nascimento e Cidadão Espirito-santense, desde 09 de maio de 1985 e autor de mais de mil publicações e trovólogo, ou seja, historiador da Trova no Brasil, falecido em 28 de maio de 2001, no Rio de Janeiro (RJ).

Esta cadeira não representa apenas uma distinção. Ela simboliza uma ponte entre o passado e o futuro; entre aqueles que escreveram antes de nós e aqueles que ainda escreverão depois de nossa passagem.

Recebo-a como quem recebe uma chama: com respeito, cuidado e compromisso, para que não se apague e possa iluminar novos caminhos.

A palavra Academia carrega consigo uma história extraordinária. Nasceu na antiga Grécia, nos jardins de Academus, personagem da mitologia e da tradição heroica grega, ali Platão estabeleceu, no século IV antes de Cristo, um espaço dedicado ao pensamento, à filosofia, ao conhecimento e à formação do espírito. A tradição associa este ato a fundação da primeira Academia de Letras e Artes no Mundo.

Desde então, a Academia tornou-se mais que uma instituição. Tornou-se uma casa de memória, de saber, de fraternidade e de esperança. Um lugar onde o pensamento encontra abrigo e onde a palavra aprende a atravessar o tempo.

Ali, sob a inspiração de Platão, o conhecimento deixou de ser apenas uma experiência individual para transformar-se em patrimônio compartilhado.

Eis a grande lição que atravessou os séculos: o conhecimento somente alcança sua verdadeira grandeza quando é transmitido, preservado e colocado a serviço das gerações futuras.

A própria Academia Brasileira de Letras, ao recordar essa origem, reconhece no Jardim de Academus uma das raízes históricas da tradição acadêmica. O Acadêmico Tarcísio Padilha, em discurso na ABL, também evocou o Jardim de Academus e Platão como referências fundamentais dessa tradição cultural e fala sobre a natureza do Escritor. Diz Tarcísio, “A literatura, por sua natureza, se abre espontaneamente para a contradição e densidade da condição humana. Eros e Thanatos. Vida e morte. Amor e ódio. Imersos numa permanente e desafiadora tensão dialética. ” 

Por isso, quando uma Academia recebe um escritor, poeta ou artista, ela não está simplesmente abrindo as portas de seu recinto para uma pessoa.

Ela está acolhendo uma obra. Está reconhecendo uma trajetória. Está incorporando à sua memória uma contribuição destinada a permanecer. E aqui chegamos a uma das palavras mais belas e mais incompreendidas da tradição acadêmica: IMORTALIDADE.

O Acadêmico é chamado de Imortal não porque esteja livre da morte física. Nenhum ser humano possui esse privilégio.

A imortalidade acadêmica é outra. É a imortalidade daquilo que o homem consegue realizar para além de sua própria existência. É a permanência do livro depois que o escritor se cala. É a permanência do poema depois que o poeta parte. É a permanência da pintura depois que o artista desaparece. É a permanência da ideia depois que aquele que a concebeu já não está entre nós.

Non omnis moriar. “Não morrerei inteiramente. ” Esta antiga expressão latina traduz admiravelmente a ideia de que alguma coisa do ser humano permanece quando sua obra continua viva.

O homem desaparece; a obra permanece. O corpo perece; a memória permanece.A voz se cala; o pensamento continua falando através das gerações. E é justamente nesse sentido que devemos compreender a expressão Acadêmico Imortal. A Academia não promete ao homem a eternidade biológica. A Academia reconhece-lhe a possibilidade de uma eternidade cultural. O escritor torna-se imortal porque sua palavra continua sendo lida. O poeta torna-se imortal porque seus versos continuam emocionando. O artista torna-se imortal porque sua criação continua despertando sentimentos, reflexões e beleza.

Ars longa, vita brevis. “A arte é longa; a vida é breve. ” A frase atribuída ao pai da Medicina Hipócrates, tornou-se uma das mais belas sínteses da condição humana: nossa existência é limitada, mas aquilo que criamos pode atravessar os séculos.

É por isso que uma Academia deve ser compreendida como uma grande Casa da Memória. Uma Casa onde os vivos dialogam com os que vieram antes. Uma Casa onde os mestres do passado encontram os criadores do presente. Uma Casa onde a experiência de ontem ilumina a criação de amanhã. Machado de Assis, fundador e primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras, compreendeu profundamente essa missão. Ao assumir a presidência da instituição, afirmou que a Academia deveria buscar estabilidade e progresso e preservar, por meio de seus patronos e de seus membros, os grandes nomes da cultura nacional.

Machado compreendeu também que uma Academia não vive apenas de nomes. Ela vive de obras, de ideias, de exemplos e de dedicação.

A eleição de um escritor, poeta ou artista para uma Academia de Letras e Artes é o reconhecimento de uma trajetória dedicada à palavra, à beleza e à cultura. Seja como Acadêmico Efetivo, seja como Correspondente, aquele que ingressa nesta Casa não traz apenas o próprio nome. Traz consigo uma obra, uma história e a responsabilidade de servir ao patrimônio cultural de seu povo.

Ser acadêmico é uma honra. Mas é também um dever. É preservar a língua, estimular a leitura, valorizar a arte, incentivar os novos talentos e entregar ao futuro um patrimônio maior do que aquele que recebemos do passado. Eis o verdadeiro sentido da imortalidade acadêmica. O Acadêmico não é imortal porque o corpo não morre. Somos todos passageiros. A imortalidade acadêmica nasce quando a obra permanece depois que o autor se cala.

O homem passa.  A vida passa.  O tempo passa.  Mas o livro pode permanecer.  O poema pode permanecer.  A trova pode permanecer.  A obra de arte pode continuar falando ao coração das gerações. Como nos ensina a antiga expressão latina: Non omnis moriar — “Não morrerei inteiramente”.

Enquanto houver alguém para ler um livro, declamar um poema, estudar uma obra ou pronunciar com respeito o nome de seu autor, uma parte de sua existência continuará viva. Essa é a verdadeira eternidade possível ao ser humano: não a eternidade do corpo, mas a permanência da criação; não a duração da vida, mas a força do legado.

Nesta noite, minha emoção se amplia por poder falar também em nome dos Acadêmicos Correspondentes que tomam posse: Brendda Neves, Leonardo Monjardim e Lino Armando Baroni. Coincidentemente todos pertencentes e já empossados na nossa Academia Capixaba de Letras e Artes de Poetas Trovadores, a ACLAPTCTC.

Somos irmãos de Academia, unidos pela Literatura, pela poesia, pela Trova, pela Arte e pelo compromisso de honrar as letras do nosso querido Espírito Santo.

Ao povo de Linhares, deixo minha sincera gratidão. A Literatura não pertence somente às capitais. A poesia não conhece fronteiras. A cultura floresce onde existem pessoas dispostas a preservar a memória, cultivar a palavra e acreditar na força transformadora da arte.

Linhares nos recebe nesta noite como quem abre as portas do coração. E nós respondemos com respeito, amizade e compromisso.

Que cada um de nós que tomamos posse hoje, possa honrar e dignificar esta Academia. Que possamos continuar servindo à Literatura, à Trova e à Cultura Capixaba.

Porque os aplausos terminam.  As solenidades terminam.  A vida termina.  Mas a obra pode permanecer.

E, quando o tempo levar o homem, que permaneça a palavra. Que permaneça o exemplo. Que permaneça o amor pela cultura. Que permaneça a beleza de uma obra construída com trabalho, sensibilidade e esperança.

Ad immortalitatem!  À imortalidade da obra.  À imortalidade da Literatura.  À imortalidade da Trova.  À imortalidade da Cultura Capixaba.

Agradeço profundamente à minha família, alicerce de toda a minha caminhada. Agradeço, de modo especial, à minha esposa, Zenaide, companheira de tantos anos, presença constante nas alegrias, nas dificuldades, nas lutas e nas conquistas.

A ela dedico esta trova, simples na forma, mas profunda no sentimento:

**Nesta casa tão singela 

Onde mora um Trovador 

É a mulher quem manda nela 

Porém nos dois manda o amor. **

Senhor Presidente, eminentes Acadêmicos e Acadêmicas, povo querido de Linhares:

Só nos resta dizer: Muito obrigado!

Clério José Borges de Sant’Anna 

Escritor, Poeta e Trovador Capixaba

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A Noite da Imortalidade Literária:

Academia Linharense de Letras Empossa Novos Membros em Solenidade Histórica

https://www.youtube.com/watch?v=QWG9D9Ay50g

A cultura e a literatura capixaba viveram um momento memorável na noite da última sexta-feira, 9 de outubro de 2026, com a realização da Cerimônia Solene de Diplomação e Posse dos novos membros da Academia Linharense de Letras (ALLETRAS). O imponente Plenário Joaquim Calmon, situado na Câmara Municipal de Linhares, serviu de palco para celebrar a palavra, a memória e o fortalecimento da identidade literária regional. Sob a condução do Professor Pereira, renomado divulgador cultural e responsável pelo cerimonial da noite, o evento reuniu intelectuais, autoridades e entusiastas das artes de todo o estado.

Durante a solenidade conduzida pela diretoria da instituição — sob a liderança do presidente Fernando Rocha e do secretário Aguinaldo Luiz Giuriatto —, os novos integrantes assumiram oficialmente suas respectivas posições, firmando o compromisso perpétuo de salvaguardar e expandir o patrimônio cultural local. O ápice da noite incluiu a entrega dos diplomas de imortalidade e a oficialização dos novos membros correspondentes, consolidando o intercâmbio literário entre Linhares e outros importantes polos do Espírito Santo.

Entre os grandes destaques da cerimônia esteve a posse dos novos Acadêmicos Correspondentes, todos escritores de notório saber que também integram a Academia Capixaba de Letras e Artes de Poetas Trovadores (ACLAPTCTC). Passaram a compor o quadro da ALLETRAS a escritora Brendda Neves, representante de Vila Velha e membra da Academia Feminina Espírito-santense de Letras; o historiador e escritor Clério José Borges, vindo da Serra, que assumiu formalmente a Cadeira Número 2 sob o patronato do Dr. Eno Teodoro Wanke; o intelectual Leonardo Passos Monjardim, de Vitória, membro da Academia Espírito-santense de Letras; e o escritor Lino Armando Baroni, representando a região de Ibiraçu e João Neiva, oriundo da Academia de Letras de Aracruz.

A expansão do corpo acadêmico da ALLETRAS fortalece a instituição como um dos pilares mais vibrantes da produção intelectual capixaba, abrindo caminhos para aproximar a arte das salas de aula e das comunidades locais por meio de projetos educativos. A solenidade reafirmou que cada cadeira ocupada carrega consigo não apenas uma trajetória individual de dedicação às letras, mas um legado coletivo que continuará a ecoar e inspirar futuras gerações de leitores e escritores.

Novas Acadêmicas Titulares, com Cadeira e Patrono/Patronesse:

1. Mayra Santos da Silva Bonna – Cadeira nº 06. Patronesse: Clarice Lispector

2. Sandra Mara Mendes da Silva Bassani – Cadeira nº 11, sucedendo o saudoso Acadêmico Antônio Bezerra Neto. Patrono: Machado de Assis.

3. Larissa Pandolfi Custódio Schaeffer – Cadeira nº 17, sucedendo à saudosa Acadêmica Arlêne Campos. Patronesse: Lya Luft.

4. Ercília Ricardo Celino – Cadeira nº 21. Patronesse: Lígia Fagundes Telles

5. Renedir de Souza – Cadeira nº 22. Patrono: Renato Pacheco

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Clério José Borges
Enviado por Clério José Borges em 08/10/2026
Alterado em 11/10/2026
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